O mundo sempre nos ofecere uma série de escolhas nos vários caminhos pelos quais resolvemos trilhar. São inúmeras as variações da moda, diversos cursos , alguns dos quais parecem até "inventados" para qualificar profissionais em áreas que o mercado de trabalho pede, são infinitas as formas de relacionamento familiar uma vez que hoje não encontramos mais só o que se convencinou chamar " família", isto é, papai, mamãe e filhos, encontramos de tudo para todos e aos que podem financeiramente, com certeza, hoje, mais do que nunca, nada falta. A presença verdadeira nunca esteve tão ausente e a ausência do ser humano em toda sua plenitude, nunca este tão presente. Os discursos sempre tão variados nos dá a impressão que tudo caminha em perfeita harmonia. Bom se fosse. Nunca se ouviu tanto falar, pregar, ensinar o que é viver bem, melhorar a qualidade de vida, vivermos o melhor. Os defensores estão aí, defendendo até o indefensável, mas os verdadeiros detentores do poder que poderia fazer com que tudo melhorasse para todos , faz ouvidos moucos. Sem contar, é claro, que muitos de nós, nada faz para que realmente o mundo seja possível. Vamos vivendo, ouvindo falar, e muito mais: ouvindo calar! Não prego nenhum ideal de felicidade, não defendo essa ou aquela religião, não saio em passeata para levantar bandeira do que acha certo ou errado. Com o tempo, experiências e a própria idade, aprendi e tenho aprendido que a nossa verdade só interessa a nós; que respeito é uma das minhas palavras preferidas; que minha família não é a ideal, mas é a que criei, é a que tenho e a que amo; que por mais que viaje e conheça lugares, pessoas e adquira conhecimentos é sempre bom voltar;que, existem dias, nos quais precisamos inventar maneiras de driblarmos a nós mesmos para que o tédio de nós não se apodere; e que a alegria existe em todo o eprendizado, ainda que durante ele, sintamos enfraquecer, desanimar e quere parar. O final sempre vale a pena. Sei que ainda tenho muito a aprender, mas um dos ultimos ensinamentos que tenho como "dever de casa" é DESENTULHAR. Outro dia recebi um email de um amigo falando sobre isso. Limpar, desocupar espaço, desimpedir...também já tinha lido sobre isso num livro sobre Feng Shui...algumas pessoas mais místicas já haviam comentado comigo a respeito de circulação de energia.Bom, isso já faz algum tempo. A vida continuou dando voltas, virando de pernas para o ar, quase parando, retornando a rotina, com dias mais coloridos ou apenas cinzentos, mas todos traziam sua mensagem, seu estilo, seu "presta atenção" e eu comecei a perceber em mim o quanto de sentimentos eu havia guardado...entulhado. O quanto a minha casa,moradia mesmo, estava repleta de objetos que já não faziam mais sentido. A minha alma pesada de tanto entulho.Resisti, mas resolvi começar a faxina, dentro e fora. Assustei. Procurei prestar atenção no sentimento que vinha a cada objeto inútil que jogava fora. Não é uma tarefa muito fácil, porque acredito que a maioria das pessoas hoje mal têm tempo de reparar se faz sol ou se chove, ou mesmo em que dia e em que mes estamos tamanha é a correria em busca da sobrevivência. Começando a detectar que alguns momentos de tristeza estavam vindo com muita frequência, percebi que era o momento de fazer alguma coisa para tornar a minha vida mais leve. Sentimentos que não mais correspondiam a minha atual realidade estavam tão bem acomodados dentro de mim que foi difícil removê-los...objetos que guardava por puro sentimentalismo ocupavam um espaço físico enorme e que poderia ser preenchido com objetos realmente uteis ou apenas ficarem vazios aguardando um novo. Assim, dia a dia, fui desentulhando minha vida, minha casa, meu caminho. Até pessoas que achava fossem tão importantes deram lugar a um sentimento de gratidão por terem existido em minha vida, mas já não ocupam lugar algum agora. Ao contrário, algumas que julgava tão sem importância passei a valorizar com o mesmo sentimento de gratidão e coloquei-as num ambiente emocional melhor. Algumas atitutes me fizeram repensar a vida, os valores e eu mesma. Algumas em esbarrão, outras uma verdadeira colisão onde encontrei mortos e feridos, alguns mereciam ser salvos e outros, pelo mal cheiro, tiveram que ser descartados totalmente. Como disse o grande Fernando Pessoa..." é hora da travessia"e num outro momento da mesma poesia ..." se não quisermos ficar à beira de nós mesmos..." . Cansei de ser uma marginal de mim mesma. Fácil ou difícil é sempre melhor lidarmos com o realmente importa e isso varia muito de pessoa para pesssoa, mas o importante mesmo é desentulhar, limpar, dar espaço ao melhor. Só um detalhe: começada a faxina ela não poderá parar nunca mais porque cada dia vivido deve ser repensado , refletido e filtrado para que novos entulhos não aconteçam e possamos aprender com as experiências. O trabalho é árduo, mas a recompensa é estarmos prontos para gastarmos nossa energia numa vida cada vez melhor. O momento certo? Cada alma saberá aonde estarão as ferramentas, quais são e o que fazer com cada uma delas para que todos os dias valham a pena estarmos renascidos. Vamos lá...coragem e boa sorte!
terça-feira, 30 de agosto de 2011
sábado, 15 de janeiro de 2011
Depois do temporal vem o carnaval???
Nada contra o carnaval. Tudo contra essa imensa tragédia que se abateu sobre as cidades do Rio de Janeiro, centro de toda a imensa festa em que se comemora a alegria do povo brasileiro. Alegria? Não consigo entender e nem tento explicações, apenas converso comigo mesma porque me sinto perplexa diante da imensa catástrofe que atingiu famílias, cidades, sonhos. Agora ainda assisti na televisão os preparativos para o carnaval e cheguei mesmo a duvidar do que assistia. É claro que o mundo não vai parar por causa de "apenas" mais um imenso temporal que destruiu tudo o que encontrou pela frente, mas ao mesmo tempo me pergunto: comemorar o que? vestir uma linda fantasia e desfilar o luxo quando a desgraça, o caos, o choro, estão ali, bem ao lado de tudo isso? cantar tres dias e noites quando a voz de tantos desamparados ainda ecoam e ecoarão ainda por muito tempo em cada canto desse país? Sempre gostei, aproveitei e "pulei"muitos carnavais, mas esse ano eu teria vergonha de sair por aí pulando de alegria enquanto pessoas estão passando por uma imensa calamidade que, por certo, faria meu riso sem nenhum sentido.São pessoas que nem conheço, que jamais vi e que não fazem parte da minha vida. Mas são pessoas. Seres humanos arrassados, perdidos, devastados em sua dignidade, seu caminho, suas esperanças. São crianças sem seus pais, são pais sem seus filhos, são famílias que se desintegraram pela força da natureza irada e pela falta da devida atenção de um governo (?) que poderia ter sim, minimizado todo esse sofrimento. Carnaval? Não faz sentido para mim. É dar brilho a uma festa que tantos esperam um ano inteiro, mas também é fazer com que essas pessoas passem na avenida como um bloco de palhaços que nem graça tem. Tanto brilho, luxo e luz e ao redor o apagão, a sujeira, a falta de tudo. É, as pessoas se perdem em meio aos blocos carnavalescos e outras tantas apenas tentam apenas achar um local para não se sentirem perdidos, para se abrigar. Dramático? Não, infelizmente é a verdade. Não adianta buscarmos culpados, responsáveis, autoridades. O que adiantaria não foi feito: respeito à natureza, prevenção, educação do povo para estar preparado para essas situações. E eu ainda me pergunto: quanto tempo ainda vai demorar para que a vida dessa população volte ao normal? Talvez tempo demais para que consigam amenizar a dor que sofreram. O que doi mesmo é a falta de respeito à dor de quem não tem lugar para abrigar sua própria dor. Mas, é assim mesmo. Como o país do Carnaval deixará de comemorar a grande festa? Para que? Para quem? A minha palavra, a minha indignação, a minha perplexidade são minhas e talvez de algumas pessoas que como eu sentem a dor profunda de quem não consegue nem ter tempo de chorar a própria dor porque existem dores maiores do que a que está sentido. Pessoas que estão socorrendo quem está sofrendo mais. "Quanto riso...oh! quanta alegria..." mais de 190 milhões de palhaços no salão! Muitas vozes cantarão esse carnaval, mas a minha preferirá calar-se diante de tanto descaso. É a própria população quem está se ajudando, tentando saciar a fome, a sede e as necessidades mais básicas para a sobrevivência de seu semelhante. Eu, com minhas próprias mãos, nada posso fazer diretamente, mas tento, dentro de mim, respeitar a dor, a tristeza e o choro de tantos que estão passando o estreito caminho do grande sofrimento de olhar em volta e só enxergar a desvatação. É só a minha voz, mas é a minha. Que venha o Carnaval com todo o seu luxo, pompa e alegria. Eu prefiro fazer de conta que moro em um país aonde se respeita, se considera e se ama o próximo. Comemoro silenciosamente a vida dos que conseguiram sobreviver e vão lutar para ter de volta o que se perdeu e lamento também, silenciosamente ,os que vão comemorar a ilusão de que nada aconteceu. Existe a multidão que comemora as vidas que se salvaram. Existe a outra, solitária sim,que comemora com fantasias a alienação de que tudo continua a brilhar mesmo depois de tres dias e noites de uma ilusão que se acaba. Quero acreditar que grande parte da população compartilha do que eu sinto e a outra parte não deixará de viver seu carnaval pelo que aconteceu de trágico. Só espero, sinceramente, que na grande avenida da folia chova muito em todos os dias da grande comemoração da festa do nada, do ninguém, de coisa nenhuma. Mais do que postar aqui a minha indignação deixo, pra mim mesma, a grande decepção de ver que não somos uma nação de verdade, mas apenas um amontoado de pessoas que vivem num mesmo país que alguém, algum dia, disse não ser um país sério (Charles de Gaulle - Presidente da França). E não é que o francês tinha razão. É , no mínimo,lamentável!
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