sábado, 17 de novembro de 2012
Ainda não me acostumei!
Depois de anos de convivência, já tendo presenciado tantas atitudes grosseiras, acreditei já não dar tanta importância a mais uma delas, enfim, a pessoa só se aculturou, mas não se melhorou! Sei, também, que algumas atitudes minhas deixam, por certo, a desejar, mas nunca dei o primeiro tapa. Se reagi depois foi apenas para fazer valer, para mim mesma, meu ponto de vista completamente oposto ao apresentado. Ser autêntico é ser fiel a seus princípios. Ser grosseiro é ser mal educado, e isso não há cultura que resolva. Jamais conseguirei conviver bem com pessoas que, em nome de sua pseuda personalidade marcante, se fazem perceber pelas palavras, modos e gestos agressivos e gratuitos. Alguns diriam: " mas fulano é assim mesmo...você ainda não se acostumou?...". Eu direi sempre: nunca me acostumarei a lidar com pessoas pobres da sensibilidade dos outros. Se alguém é mal eduacado, que o seja com quem for igual a ele. Ser justo é também ser coerente na maioria das vezes. Felizmente não me deixo contaminar por esse tipo de comportamento, aceitá-lo e até banalizá-lo, achando normal um gesto de imenso mal gosto. Personalidade a meu ver é se valer do que há de melhor em nós no tratamento com o outro. E, se isso é o que há de melhor nele...pobrezinho! Frescura minha? Alguns achariam que sim, afinal cada um tem o direito de pensar, fazer e falar o que quiser, mas também todos tem que assumir a sua postura ou a falta dela. Não gostei, não gosto e jamais gostarei de pessoas que mostram o verniz e querem parecer aos outros o que não são, para, aproveitando-se de uma situação em que a outra pessoa está totalmente despreparada, mostrar quem realmente são. Infelizmente, nessas ocasiões esse ogro só tem como testemunha a pessoa que recebeu a sua gratuita patada! Contar aos outros, para que? Ele é o ridículo. Se essas coisas ainda me magoam é porque a minha alma repudia os que só respeitam a sua própria verdade. Eu não gosto de você, apenas o respeito e tento conviver enquanto não chega a ocasião certa de olhar bem para essa realidade e deixá-la somente para que você e os iguais a você vivam como animais aculturados! Tenha certeza, senhor ogro, esse dia chegará!
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Desentulhando
O mundo sempre nos ofecere uma série de escolhas nos vários caminhos pelos quais resolvemos trilhar. São inúmeras as variações da moda, diversos cursos , alguns dos quais parecem até "inventados" para qualificar profissionais em áreas que o mercado de trabalho pede, são infinitas as formas de relacionamento familiar uma vez que hoje não encontramos mais só o que se convencinou chamar " família", isto é, papai, mamãe e filhos, encontramos de tudo para todos e aos que podem financeiramente, com certeza, hoje, mais do que nunca, nada falta. A presença verdadeira nunca esteve tão ausente e a ausência do ser humano em toda sua plenitude, nunca este tão presente. Os discursos sempre tão variados nos dá a impressão que tudo caminha em perfeita harmonia. Bom se fosse. Nunca se ouviu tanto falar, pregar, ensinar o que é viver bem, melhorar a qualidade de vida, vivermos o melhor. Os defensores estão aí, defendendo até o indefensável, mas os verdadeiros detentores do poder que poderia fazer com que tudo melhorasse para todos , faz ouvidos moucos. Sem contar, é claro, que muitos de nós, nada faz para que realmente o mundo seja possível. Vamos vivendo, ouvindo falar, e muito mais: ouvindo calar! Não prego nenhum ideal de felicidade, não defendo essa ou aquela religião, não saio em passeata para levantar bandeira do que acha certo ou errado. Com o tempo, experiências e a própria idade, aprendi e tenho aprendido que a nossa verdade só interessa a nós; que respeito é uma das minhas palavras preferidas; que minha família não é a ideal, mas é a que criei, é a que tenho e a que amo; que por mais que viaje e conheça lugares, pessoas e adquira conhecimentos é sempre bom voltar;que, existem dias, nos quais precisamos inventar maneiras de driblarmos a nós mesmos para que o tédio de nós não se apodere; e que a alegria existe em todo o eprendizado, ainda que durante ele, sintamos enfraquecer, desanimar e quere parar. O final sempre vale a pena. Sei que ainda tenho muito a aprender, mas um dos ultimos ensinamentos que tenho como "dever de casa" é DESENTULHAR. Outro dia recebi um email de um amigo falando sobre isso. Limpar, desocupar espaço, desimpedir...também já tinha lido sobre isso num livro sobre Feng Shui...algumas pessoas mais místicas já haviam comentado comigo a respeito de circulação de energia.Bom, isso já faz algum tempo. A vida continuou dando voltas, virando de pernas para o ar, quase parando, retornando a rotina, com dias mais coloridos ou apenas cinzentos, mas todos traziam sua mensagem, seu estilo, seu "presta atenção" e eu comecei a perceber em mim o quanto de sentimentos eu havia guardado...entulhado. O quanto a minha casa,moradia mesmo, estava repleta de objetos que já não faziam mais sentido. A minha alma pesada de tanto entulho.Resisti, mas resolvi começar a faxina, dentro e fora. Assustei. Procurei prestar atenção no sentimento que vinha a cada objeto inútil que jogava fora. Não é uma tarefa muito fácil, porque acredito que a maioria das pessoas hoje mal têm tempo de reparar se faz sol ou se chove, ou mesmo em que dia e em que mes estamos tamanha é a correria em busca da sobrevivência. Começando a detectar que alguns momentos de tristeza estavam vindo com muita frequência, percebi que era o momento de fazer alguma coisa para tornar a minha vida mais leve. Sentimentos que não mais correspondiam a minha atual realidade estavam tão bem acomodados dentro de mim que foi difícil removê-los...objetos que guardava por puro sentimentalismo ocupavam um espaço físico enorme e que poderia ser preenchido com objetos realmente uteis ou apenas ficarem vazios aguardando um novo. Assim, dia a dia, fui desentulhando minha vida, minha casa, meu caminho. Até pessoas que achava fossem tão importantes deram lugar a um sentimento de gratidão por terem existido em minha vida, mas já não ocupam lugar algum agora. Ao contrário, algumas que julgava tão sem importância passei a valorizar com o mesmo sentimento de gratidão e coloquei-as num ambiente emocional melhor. Algumas atitutes me fizeram repensar a vida, os valores e eu mesma. Algumas em esbarrão, outras uma verdadeira colisão onde encontrei mortos e feridos, alguns mereciam ser salvos e outros, pelo mal cheiro, tiveram que ser descartados totalmente. Como disse o grande Fernando Pessoa..." é hora da travessia"e num outro momento da mesma poesia ..." se não quisermos ficar à beira de nós mesmos..." . Cansei de ser uma marginal de mim mesma. Fácil ou difícil é sempre melhor lidarmos com o realmente importa e isso varia muito de pessoa para pesssoa, mas o importante mesmo é desentulhar, limpar, dar espaço ao melhor. Só um detalhe: começada a faxina ela não poderá parar nunca mais porque cada dia vivido deve ser repensado , refletido e filtrado para que novos entulhos não aconteçam e possamos aprender com as experiências. O trabalho é árduo, mas a recompensa é estarmos prontos para gastarmos nossa energia numa vida cada vez melhor. O momento certo? Cada alma saberá aonde estarão as ferramentas, quais são e o que fazer com cada uma delas para que todos os dias valham a pena estarmos renascidos. Vamos lá...coragem e boa sorte!
sábado, 15 de janeiro de 2011
Depois do temporal vem o carnaval???
Nada contra o carnaval. Tudo contra essa imensa tragédia que se abateu sobre as cidades do Rio de Janeiro, centro de toda a imensa festa em que se comemora a alegria do povo brasileiro. Alegria? Não consigo entender e nem tento explicações, apenas converso comigo mesma porque me sinto perplexa diante da imensa catástrofe que atingiu famílias, cidades, sonhos. Agora ainda assisti na televisão os preparativos para o carnaval e cheguei mesmo a duvidar do que assistia. É claro que o mundo não vai parar por causa de "apenas" mais um imenso temporal que destruiu tudo o que encontrou pela frente, mas ao mesmo tempo me pergunto: comemorar o que? vestir uma linda fantasia e desfilar o luxo quando a desgraça, o caos, o choro, estão ali, bem ao lado de tudo isso? cantar tres dias e noites quando a voz de tantos desamparados ainda ecoam e ecoarão ainda por muito tempo em cada canto desse país? Sempre gostei, aproveitei e "pulei"muitos carnavais, mas esse ano eu teria vergonha de sair por aí pulando de alegria enquanto pessoas estão passando por uma imensa calamidade que, por certo, faria meu riso sem nenhum sentido.São pessoas que nem conheço, que jamais vi e que não fazem parte da minha vida. Mas são pessoas. Seres humanos arrassados, perdidos, devastados em sua dignidade, seu caminho, suas esperanças. São crianças sem seus pais, são pais sem seus filhos, são famílias que se desintegraram pela força da natureza irada e pela falta da devida atenção de um governo (?) que poderia ter sim, minimizado todo esse sofrimento. Carnaval? Não faz sentido para mim. É dar brilho a uma festa que tantos esperam um ano inteiro, mas também é fazer com que essas pessoas passem na avenida como um bloco de palhaços que nem graça tem. Tanto brilho, luxo e luz e ao redor o apagão, a sujeira, a falta de tudo. É, as pessoas se perdem em meio aos blocos carnavalescos e outras tantas apenas tentam apenas achar um local para não se sentirem perdidos, para se abrigar. Dramático? Não, infelizmente é a verdade. Não adianta buscarmos culpados, responsáveis, autoridades. O que adiantaria não foi feito: respeito à natureza, prevenção, educação do povo para estar preparado para essas situações. E eu ainda me pergunto: quanto tempo ainda vai demorar para que a vida dessa população volte ao normal? Talvez tempo demais para que consigam amenizar a dor que sofreram. O que doi mesmo é a falta de respeito à dor de quem não tem lugar para abrigar sua própria dor. Mas, é assim mesmo. Como o país do Carnaval deixará de comemorar a grande festa? Para que? Para quem? A minha palavra, a minha indignação, a minha perplexidade são minhas e talvez de algumas pessoas que como eu sentem a dor profunda de quem não consegue nem ter tempo de chorar a própria dor porque existem dores maiores do que a que está sentido. Pessoas que estão socorrendo quem está sofrendo mais. "Quanto riso...oh! quanta alegria..." mais de 190 milhões de palhaços no salão! Muitas vozes cantarão esse carnaval, mas a minha preferirá calar-se diante de tanto descaso. É a própria população quem está se ajudando, tentando saciar a fome, a sede e as necessidades mais básicas para a sobrevivência de seu semelhante. Eu, com minhas próprias mãos, nada posso fazer diretamente, mas tento, dentro de mim, respeitar a dor, a tristeza e o choro de tantos que estão passando o estreito caminho do grande sofrimento de olhar em volta e só enxergar a desvatação. É só a minha voz, mas é a minha. Que venha o Carnaval com todo o seu luxo, pompa e alegria. Eu prefiro fazer de conta que moro em um país aonde se respeita, se considera e se ama o próximo. Comemoro silenciosamente a vida dos que conseguiram sobreviver e vão lutar para ter de volta o que se perdeu e lamento também, silenciosamente ,os que vão comemorar a ilusão de que nada aconteceu. Existe a multidão que comemora as vidas que se salvaram. Existe a outra, solitária sim,que comemora com fantasias a alienação de que tudo continua a brilhar mesmo depois de tres dias e noites de uma ilusão que se acaba. Quero acreditar que grande parte da população compartilha do que eu sinto e a outra parte não deixará de viver seu carnaval pelo que aconteceu de trágico. Só espero, sinceramente, que na grande avenida da folia chova muito em todos os dias da grande comemoração da festa do nada, do ninguém, de coisa nenhuma. Mais do que postar aqui a minha indignação deixo, pra mim mesma, a grande decepção de ver que não somos uma nação de verdade, mas apenas um amontoado de pessoas que vivem num mesmo país que alguém, algum dia, disse não ser um país sério (Charles de Gaulle - Presidente da França). E não é que o francês tinha razão. É , no mínimo,lamentável!
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Peraí...2010 tá acabando?
É... Mais um ano está acabando!? Será? Alguns acreditam que o calendário tem o poder mágico de mudar a vida das pessoas. Novo ano, ano novo, novas perspectivas, novas esperanças, roupa branca dá sorte, pular as ondas também, comer sete grãos de romã traz prosperidade e assim, de tradiçào em tradição, mitos são renascidos das cinzas e preparam as pessoas para novos caminhos. Eu já fiz muita coisa parecida porque acreditava que realmente outros horizontes despontariam e no dia primeiro do ano que começava pintava meu arco íris com muitas cores. Tempos felizes aqueles! Isso não significa que nos tempos de hoje eu tenha parado de esperar, ansiar e sonhar, mas agora o tempo, para mim, tem o significado que dou a ele todos os meus dias. Hoje acredito nos caminhos, mas prefiro me certificar se são os melhores,realmente, para mim. Já não pulo as ondas, pulo etapas que antes pareciam tão importantes. Esse ano que, pelo calendário, está acabando, me trouxe certezas, dúvidas, sonhos que fiz, alguns que desfiz. Selecionei situações e preferi não incluir em minhas expectativas sonhos que para serem realidade dependeriam de outras pessoas. Amei, briguei comigo, fiz as pazes, descobri, joguei fora alguns sentimentos e objetos que pesavam na minha bagagem de vida. 'Saudades? Não. As boas lembranças sempre me acompanharam e continuarão me acompanhando mudando ou não calendário. Para quem ainda celebra de maneira grandiosa as festas que se aproximam, desejo que cada vez mais sonhem e planejem a vida de forma a todos os sonhos se realizarem. De qualquer forma, é mais um ano que termina. Que possamos viver em paz e perceber os dias passando, aproveitando-os de forma construtiva para nós e para aquele que amamos. Muda o ano ou mudamos nós? Ainda creio nos sonhos, na vida, nas alegrias que ela ainda trará,independentemente dos fogos na praia de Copacabana. Não estarei lá, com certeza, mas estarei olhando o mar calmo que consegui construir ao longo de todos os anos que acabaram e outros que começaram. Tudo sempre valeu e valerá a pena. Bom mesmo é viver e saber que cada dia está a nossa espera para ser comemorado!
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Ela
Quando criei essa página não tive a intenção de só passar aqui emoções, situações ou sentimentos altruístas, mesmo porque a vida não é feita só de caminhos perfeitos, pessoas iluminadas e céu interior sempre azul. Já escrevi muitas coisas,inspirada por tantos motivos que hoje prefiro escrever como se fosse a primeira vez. Vou mudar o cenário sem mudar o roteiro. Hoje, meu cenário é a minha saudade. Meu roteiro é o de sempre: viver com sinceridade dentro de mim. O meu rosto pode mostrar a mesma pessoa de sempre, mas prefiro agora não mascarar essa infinita saudade que sinto. Ela não me faz sofrer, ela me faz refletir. Tantos passos já foram dados na estrada e a cada um deles percebo que alguns foram definitivos para eu me tornar o que sou hoje. Pessoas passaram simplesmente. Outras eu vi ao longe. Algumas vieram e ficaram. São essas últimas as que me interessam realmente. Chegaram e deram seu recado da maneira mais certa possível e isso não significa que tenham falado ou feito tudo certinho. Apenas souberam de mim, me entenderam e me ajudaram a ser melhor. Alguns desses "mestres" ainda estão por perto, e outros já se foram para um infinito de sabedoria maior. A minha saudade hoje vem falar da minha mãe. Minha amiga. Minha mestra na vida, na força, na arte de sentir. É tamanha a saudade que chega só para ser sentida e não explicada. Há exatos um ano e onze meses, ela foi em busca de uma felicidade que não encontramos nesse plano. Subiu seu último degrau nessa vida para ascender a degraus maiores na escada que a levou de volta ao aconchego de viver plenamente. Sem dores. Sem sofrimentos físicos. Sem um número de documento que a identificasse. Lá, aonde ela está , deixou de ser mãe e se tornou filha de um Pai que a aguardava ansioso para abraçá-la e desejar-lhe as boas vindas. Por isso não estou aqui a lamentar sua partida. É só a saudade imensa que me traz seu rosto, seus gestos, seus sorrisos. Ela não era perfeita, claro. Mas é a mãe que eu ainda tenho. Sempre atenta aos seus amores, sempre cuidadosa no tempero do prato mais simples, enérgica quando eu fazia alguma coisa que ela achava não estar certo. Sua presença, na minha vida, foi, é e sempre será mágica. Sua voz, muitas vezes ainda ecoa em minha alma, como se o tempo que vivemos juntas não houvesse sido suficiente para que ela tentasse dirimir da melhor maneira minhas dúvidas em relação a tudo que vivo. Seu perfume suave (sempre fez questão de estar perfumada) não tem similar. Era dela, exalava dela, nasceu com ela. E ela ainda é tudo isso: a pessoa-mãe carinhosa, engraçada, alegre, irônica, com muita presença de espírito e que ria de seus próprios erros. Fazia coisas que eu não gostava e muitas vezes achava que sempre tinha razão. Altiva , jamais se dava por vencida. A vida só a venceu, levando-a, quando ela concordou que seu tempo já havia terminado mesmo. Forte, a ponto a não esmorecer quando todos pareciam tão abatidos. Frágil, quando todos achavam que o acontecido não era motivo para tanto. Sempre ela. Sempre honesta consigo mesma. Sempre de fácil leitura. Nela eu conseguia enxergar, perceber e sentir todas as mulheres que ela era para ser ela mesma. É por isso que hoje escrevo dessa saudade. Valeu ter vivido tanto tempo com ela e saber que ainda temos a eternidade para viver. Minha amiga, ela ainda sabe o que me aflige, o que me entristece e o que deixa continuar a viver. Ela ensinou a lição, corrigiu e eu tento reescrever nossa história todos os dias na quase certeza de ser uma boa aluna. Tantos ensinamentos que me fazem hoje traduzir em muito amor, carinho e as melhores emoções essa imensa saudade que tenho dela... é, foi com ela que aprendi. Eterna sua presença. Intensa sua ausência!
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
...E a dama se despede!
Seu nome no palco da vida é Helena. Sempre achei muito bonito seu nome. Como uma mulher grega, enfrentou a batalha dos caminhos sem reclamar dos pesos, atribuições e desencontros. Era uma frágil mulher, mas de espírito forte e vida simples. Nasceu, cresceu e viveu em uma pequena cidade no interior de Minas Gerais. Seus gestos suaves, sua fala mansa, seu olhar terno, faziam dela uma verdadeira lady. Parecia ter sempre vivido, estudado e frequentado os mais finos ambientes, as melhores escolas, os mais luxuosos salões. Seus olhos, muito azuis, transpareciam seu temperamento quieto, suas atitudes calmas, seu carinho por todos que com ela conviviam. Andava devagar, mas seus passos sempre iam ao encontro de alguma mão que estivesse estendida a espera de ajuda. Convivi, felizmente, por muito tempo com essa grande dama. Fina, educada, simples. Sua comida era deliciosa e o seu tempero inigualável. Sua casa simples parecia um castelo aos meus olhos de menina, adolescente e jovem. Era para a casa dela que eu ia passar minhas férias escolares e era sempre recebida como uma princesa. Passei lá, naquela cidade pequena, os melhores anos de minha vida de moça. Lá fiz amigos, dancei muitos carnavais, encontrei namorados, fiz pique-nique, andei pelas fazendas da região, fui a muitas festas, a muitas missas, e muitas vezes me pegava olhando a grande Serra que emoldurava aquela cidadezinha. Como era tudo tão perfeito! A casa dela era meu ponto de chegada e meu ponto de partida e de onde voltava sempre chorando por deixar lá tudo o que tinha vivido junto àquela gente tão querida. Ela fazia nossas fantasias de carnaval sempre com muita alegria, como se ela também fosse participar da festa. Já era viuva tão moça, mas se dedicava à vida em família como se junto a ela tivesse se formado um reino aonde ela conhecia cada um de seus súditos. Nada exigia. Eu acredito, hoje, que sua solidão era tamanha que bastava isso para que ela se completasse. Sózinha se completava e nos fazia sentir como se fossemos todos, cada um a seu modo, as pessoas mais importantes do mundo. É, ela tinha essa magia. Transformava o ambiente sem que para isso fosse necessário muitas falas, muitos gestos, muita agitação.Mal ouvíamos quando ela caminhava pela casa. Alegre, mas de uma alegria sutil, educada, comedida. Nos fazia rir muito e ria também com nossas bobagens de jovens. A casa, em época de férias, vivia repleta dos nossos jovens amigos e ela, como uma mãe zelosa, cuidava, participava e deixava que todos fossemos felizes. Ela também era a que fazia bolos, doces , bolachinhas para que, entre uma risada e outra, provássemos de seus dotes culinários. Minha tia Helena. Minha referência de mulher completa. Minha protagonista no palco da minha vida quando muito jovem. Inesquecível sua figura, seu carinho, seu pisar calmo em minha direção. Sua casa era seu mundo. Ali ela vestia todas as fantasias, ria todas as comédias, compunha suas melodias, e dançava o ritmo da vida, e jamais se retirava sem deixar um perfume de frescor no ar. Ela era leve. Nunca a vi irritada, nervosa, chateada.Claro, ela tinha seus estados de humor osciláveis, mas nunca deixava que isso contagiasse nosso descomprometimento com a vida, na época. Ela era e deixava ser. Minha querida Tia! A Tia Helena que não irá embora jamais da minha vida, viva eu quanto tempo viver! Hoje, ela se despediu do espetáculo da vida e como uma dama o fez sem barulho, sem alvoroço, sem pesar pelo que viveu. Deixa-nos, mas nunca irá se ausentar de nossos caminhos porque sua presença iluminada deixa todos nós com um pouco dessa luz! Hoje ela se despediu. Quieta.Calma.Tranquila. Deixou para nós a esperança que sempre vale a pena viver porque seu exemplo de vida foi seu melhor conselho. Um grande beijo tia Helena, vou amá-la sempre! As minhas lágrimas jamais traduziriam o meu enorme amor por você, minha grande dama. Que a luz continue a iluminar seus caminhos, agora em direção ao espetáculo final. Mas eu tenho certeza que seu brilho jamais se apagará, que seu texto não terá fim, que a cortina jamais se fechará para o grande espetáculo que é o seu imenso coração. A sua benção, tia Helena e que os anjos do céu saibam recebê-la com muita festa, muita alegria e muito amor. Acredite, eu jamais verei outra estrela como você. Para mim, esse grande palco que é a vida, jamais verá um olhar azul tão brilhante como o seu. Respeitosamente beijo suas mãos e te peço: abençoe-nos aonde quer que você esteja. Ate sempre,tia. Helena era seu nome. Um grande beijo, já com muita saudade.
sábado, 7 de agosto de 2010
Reencontro
Começo este texto como uma citação do livro "O ponto cego" de Lya Luft...( 1999)" É assim, o tempo: devora tudo pelas beiradinhas, roendo, corroendo,recortando e consumindo. E nada nem ninguém lhe escapará, a não ser que faça dele seu bicho de estimação" . Sempre tratei meu tempo como um bichinho amado que apesar de passar, de não ter controle sobre ele, de muitas vezes me esmagar com suas intempéries, não permiti que levasse minhas melhores lembranças, os melhores momentos, as melhores pessoas. E foi assim, vivendo, que tenho em mim a memória viva da minha infância que me mostra hoje, já madura (será?) o tamanho que as pessoas têm em minha vida. Eram tempos de roda, de pular corda, de "passar anel" e tantas outras brincadeiras que nos permitiam ser crianças com direito à liberdade de reunirmos com outras crianças sem o medo que hoje assola a maioria dos pais. Apenas éramos crianças e os pais, adultos que nos mostravam os limites sem que para isso tivessémos um Código a nos proteger contra qualquer tipo de agressão. Vivíamos a nossa época, íamos a escola, almoçávamos aos domingos com a família toda reunida. Todas as famílias tinham seus problemas, como hoje, mas nenhum deles demorava mais do que uma boa conversa para que tudo se resolvesse e outros aparecessem e fossem resolvidos também. Claro que problemas mais sérios sempre existiram e vão existir, mas naquela época ( velha, eu?) éramos nós que vivíamos nossos sonhos e os políticos eram mais comprometidos com a população e, por incrível que pareça, existia, na política, gente séria. E assim o tempo ia passando entre brincar de amarelinha, fazer o dever de escola e estarmos em família que, de preferência, moravam perto uns dos outros. Foi nesse tempo que em meio a tantas visitas familiares, eu conheci a prima de minha mãe, Alzira, que tinha muitos filhos, mas quem a acompanhava sempre era a Roseli, alguns anos mais nova que eu, mas que estava sempre perto de mim e foi a fisionomia dela que mais marcou depois que nos separamos. Tímida, mas risonha, sempre me olhando como se visse em mim a "mocinha" que ela queria ser. A vida foi tomando outros rumos, irmãos casaram, minha mãe ficou viuva, e a família foi aumentando mas cada um perseguindo seus próprios objetivos, mas a distância física foi ficando cada vez maior como que impondo a cada um de nós uma nova realidade. Acabaram-se as brincadeiras, nos víamos com menos frequência, reuniões só nas festas e as crianças foram dando lugar aos adolescentes, adultos e posturas diferentes diante da vida. E não poderia ser diferente comigo. Trouxe comigo todas as ternuras, carinhos e amor que aprendi quando criança, mas já não havia mais tempo para o Papai Noel, em quem acreditei por muito tempo. Trouxe comigo também algumas fantasias, se não como continuar vivendo? Trouxe comigo todos os momentos, manhãs e pessoas que amei, amo e amarei para sempre. Entre essas pessoas tão queridas estava lá a Roseli, minha priminha tímida, mas tão carinhosa, risonha e companheira. Para onde a vida a teria levado? Gostaria tanto de revê-la, mas por onde começar? Sempre na lembrança mas sem a noção real de como reencontrá-la. Aí, dei um "Viva" à nossa era da tecnologia, sem as brincadeiras de criança, com a família menor, com tantos Códigos a indicarem quais os caminhos que a lei tem como certos ou não e que TEMOS que seguir. Alguém disse uma vez: "melhor um mal governo do que nenhum governo", mas aí é outro assunto que prefiro não discutir. E foi assim, através da internet que a Roseli, minha prima, me encontrou ou melhor, reencontrou. Eu mal acreditei quando vi a foto e ela me perguntando sobre as pessoas da família. Era ela! Havia passado de carro com a filha em frente à casa onde eu morava e que ela havia ido tantas vezes e comentou que ali havia morado uma tia muito querida que ela sempre vinha visitar, e falou com a filha que gostaria de me reencontrar. No mesmo dia ( incrível) diante do computador, ela me viu no "facebook" e mandou uma mensagem para confirmar se era eu mesma. E, agora, voltamos a nos encontrar. A vida traça caminhos às escondidas parecendo adivinhar alguns de nossos melhores sonhos. Rever pessoas queridas, amigos, familiares.Hoje já não tão menina, e eu já não tão mocinha, percebo que o tempo apenas nos afastou fisicamente, porque nos nossos corações jamais tínhamos nos esquecido. Ela continua tímida e eu continuo tratando meu tempo como um bichinho de estimação não deixando que a distância me congele e tire de mim os melhores momentos daquele tempo e de todos os tempos que já vivi.Ela fez parte daquela paisagem tão colorida e hoje ela volta, fazendo parte de uma cenário repleto de boas cenas, de uma troca de figurinos, de assentos novos, mas onde o espetáculo ainda se chama "Vida" e melhor, podemos aplaudir juntas esse espetáculo. Ontem ela me contou, disso eu não lembrava, que a primeira boneca dela fui eu quem deu e ela adorou. Eu dei uma boneca e ganhei de volta o presente do reencontro com uma pessoa tão querida. Vida danada essa! Roseli, um grande resgate de carinho, ternura e amizade. Seja bem-vinda de volta...viajamos por países diferentes mas o nosso destino foi um só: descobrirmos a vida, vivê-la da melhor maneira que sabíamos para que hoje, pudéssemos estar juntas novamente. E ainda existem pessoas que não acreditam em milagres. Tantos ela tem operado em mim! E ainda espero outros tantos que, com certeza, virão! E termino por aqui (aff!), citando novamente a escritora Lya, agora em se livro "Perdas e Ganhos"..'."existir é poder refinar nossa consciência de que somos demais preciosos para nos desperdiçarmos buscando ser o que não somos, não podemos, nem queremos ser..." ( 2004, página 92). Eu sempre quis ser o que sou para ter a vida que tenho e amar, querer bem e reencontrar todos os meus sonhos!
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