É... Mais um ano está acabando!? Será? Alguns acreditam que o calendário tem o poder mágico de mudar a vida das pessoas. Novo ano, ano novo, novas perspectivas, novas esperanças, roupa branca dá sorte, pular as ondas também, comer sete grãos de romã traz prosperidade e assim, de tradiçào em tradição, mitos são renascidos das cinzas e preparam as pessoas para novos caminhos. Eu já fiz muita coisa parecida porque acreditava que realmente outros horizontes despontariam e no dia primeiro do ano que começava pintava meu arco íris com muitas cores. Tempos felizes aqueles! Isso não significa que nos tempos de hoje eu tenha parado de esperar, ansiar e sonhar, mas agora o tempo, para mim, tem o significado que dou a ele todos os meus dias. Hoje acredito nos caminhos, mas prefiro me certificar se são os melhores,realmente, para mim. Já não pulo as ondas, pulo etapas que antes pareciam tão importantes. Esse ano que, pelo calendário, está acabando, me trouxe certezas, dúvidas, sonhos que fiz, alguns que desfiz. Selecionei situações e preferi não incluir em minhas expectativas sonhos que para serem realidade dependeriam de outras pessoas. Amei, briguei comigo, fiz as pazes, descobri, joguei fora alguns sentimentos e objetos que pesavam na minha bagagem de vida. 'Saudades? Não. As boas lembranças sempre me acompanharam e continuarão me acompanhando mudando ou não calendário. Para quem ainda celebra de maneira grandiosa as festas que se aproximam, desejo que cada vez mais sonhem e planejem a vida de forma a todos os sonhos se realizarem. De qualquer forma, é mais um ano que termina. Que possamos viver em paz e perceber os dias passando, aproveitando-os de forma construtiva para nós e para aquele que amamos. Muda o ano ou mudamos nós? Ainda creio nos sonhos, na vida, nas alegrias que ela ainda trará,independentemente dos fogos na praia de Copacabana. Não estarei lá, com certeza, mas estarei olhando o mar calmo que consegui construir ao longo de todos os anos que acabaram e outros que começaram. Tudo sempre valeu e valerá a pena. Bom mesmo é viver e saber que cada dia está a nossa espera para ser comemorado!
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Ela
Quando criei essa página não tive a intenção de só passar aqui emoções, situações ou sentimentos altruístas, mesmo porque a vida não é feita só de caminhos perfeitos, pessoas iluminadas e céu interior sempre azul. Já escrevi muitas coisas,inspirada por tantos motivos que hoje prefiro escrever como se fosse a primeira vez. Vou mudar o cenário sem mudar o roteiro. Hoje, meu cenário é a minha saudade. Meu roteiro é o de sempre: viver com sinceridade dentro de mim. O meu rosto pode mostrar a mesma pessoa de sempre, mas prefiro agora não mascarar essa infinita saudade que sinto. Ela não me faz sofrer, ela me faz refletir. Tantos passos já foram dados na estrada e a cada um deles percebo que alguns foram definitivos para eu me tornar o que sou hoje. Pessoas passaram simplesmente. Outras eu vi ao longe. Algumas vieram e ficaram. São essas últimas as que me interessam realmente. Chegaram e deram seu recado da maneira mais certa possível e isso não significa que tenham falado ou feito tudo certinho. Apenas souberam de mim, me entenderam e me ajudaram a ser melhor. Alguns desses "mestres" ainda estão por perto, e outros já se foram para um infinito de sabedoria maior. A minha saudade hoje vem falar da minha mãe. Minha amiga. Minha mestra na vida, na força, na arte de sentir. É tamanha a saudade que chega só para ser sentida e não explicada. Há exatos um ano e onze meses, ela foi em busca de uma felicidade que não encontramos nesse plano. Subiu seu último degrau nessa vida para ascender a degraus maiores na escada que a levou de volta ao aconchego de viver plenamente. Sem dores. Sem sofrimentos físicos. Sem um número de documento que a identificasse. Lá, aonde ela está , deixou de ser mãe e se tornou filha de um Pai que a aguardava ansioso para abraçá-la e desejar-lhe as boas vindas. Por isso não estou aqui a lamentar sua partida. É só a saudade imensa que me traz seu rosto, seus gestos, seus sorrisos. Ela não era perfeita, claro. Mas é a mãe que eu ainda tenho. Sempre atenta aos seus amores, sempre cuidadosa no tempero do prato mais simples, enérgica quando eu fazia alguma coisa que ela achava não estar certo. Sua presença, na minha vida, foi, é e sempre será mágica. Sua voz, muitas vezes ainda ecoa em minha alma, como se o tempo que vivemos juntas não houvesse sido suficiente para que ela tentasse dirimir da melhor maneira minhas dúvidas em relação a tudo que vivo. Seu perfume suave (sempre fez questão de estar perfumada) não tem similar. Era dela, exalava dela, nasceu com ela. E ela ainda é tudo isso: a pessoa-mãe carinhosa, engraçada, alegre, irônica, com muita presença de espírito e que ria de seus próprios erros. Fazia coisas que eu não gostava e muitas vezes achava que sempre tinha razão. Altiva , jamais se dava por vencida. A vida só a venceu, levando-a, quando ela concordou que seu tempo já havia terminado mesmo. Forte, a ponto a não esmorecer quando todos pareciam tão abatidos. Frágil, quando todos achavam que o acontecido não era motivo para tanto. Sempre ela. Sempre honesta consigo mesma. Sempre de fácil leitura. Nela eu conseguia enxergar, perceber e sentir todas as mulheres que ela era para ser ela mesma. É por isso que hoje escrevo dessa saudade. Valeu ter vivido tanto tempo com ela e saber que ainda temos a eternidade para viver. Minha amiga, ela ainda sabe o que me aflige, o que me entristece e o que deixa continuar a viver. Ela ensinou a lição, corrigiu e eu tento reescrever nossa história todos os dias na quase certeza de ser uma boa aluna. Tantos ensinamentos que me fazem hoje traduzir em muito amor, carinho e as melhores emoções essa imensa saudade que tenho dela... é, foi com ela que aprendi. Eterna sua presença. Intensa sua ausência!
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
...E a dama se despede!
Seu nome no palco da vida é Helena. Sempre achei muito bonito seu nome. Como uma mulher grega, enfrentou a batalha dos caminhos sem reclamar dos pesos, atribuições e desencontros. Era uma frágil mulher, mas de espírito forte e vida simples. Nasceu, cresceu e viveu em uma pequena cidade no interior de Minas Gerais. Seus gestos suaves, sua fala mansa, seu olhar terno, faziam dela uma verdadeira lady. Parecia ter sempre vivido, estudado e frequentado os mais finos ambientes, as melhores escolas, os mais luxuosos salões. Seus olhos, muito azuis, transpareciam seu temperamento quieto, suas atitudes calmas, seu carinho por todos que com ela conviviam. Andava devagar, mas seus passos sempre iam ao encontro de alguma mão que estivesse estendida a espera de ajuda. Convivi, felizmente, por muito tempo com essa grande dama. Fina, educada, simples. Sua comida era deliciosa e o seu tempero inigualável. Sua casa simples parecia um castelo aos meus olhos de menina, adolescente e jovem. Era para a casa dela que eu ia passar minhas férias escolares e era sempre recebida como uma princesa. Passei lá, naquela cidade pequena, os melhores anos de minha vida de moça. Lá fiz amigos, dancei muitos carnavais, encontrei namorados, fiz pique-nique, andei pelas fazendas da região, fui a muitas festas, a muitas missas, e muitas vezes me pegava olhando a grande Serra que emoldurava aquela cidadezinha. Como era tudo tão perfeito! A casa dela era meu ponto de chegada e meu ponto de partida e de onde voltava sempre chorando por deixar lá tudo o que tinha vivido junto àquela gente tão querida. Ela fazia nossas fantasias de carnaval sempre com muita alegria, como se ela também fosse participar da festa. Já era viuva tão moça, mas se dedicava à vida em família como se junto a ela tivesse se formado um reino aonde ela conhecia cada um de seus súditos. Nada exigia. Eu acredito, hoje, que sua solidão era tamanha que bastava isso para que ela se completasse. Sózinha se completava e nos fazia sentir como se fossemos todos, cada um a seu modo, as pessoas mais importantes do mundo. É, ela tinha essa magia. Transformava o ambiente sem que para isso fosse necessário muitas falas, muitos gestos, muita agitação.Mal ouvíamos quando ela caminhava pela casa. Alegre, mas de uma alegria sutil, educada, comedida. Nos fazia rir muito e ria também com nossas bobagens de jovens. A casa, em época de férias, vivia repleta dos nossos jovens amigos e ela, como uma mãe zelosa, cuidava, participava e deixava que todos fossemos felizes. Ela também era a que fazia bolos, doces , bolachinhas para que, entre uma risada e outra, provássemos de seus dotes culinários. Minha tia Helena. Minha referência de mulher completa. Minha protagonista no palco da minha vida quando muito jovem. Inesquecível sua figura, seu carinho, seu pisar calmo em minha direção. Sua casa era seu mundo. Ali ela vestia todas as fantasias, ria todas as comédias, compunha suas melodias, e dançava o ritmo da vida, e jamais se retirava sem deixar um perfume de frescor no ar. Ela era leve. Nunca a vi irritada, nervosa, chateada.Claro, ela tinha seus estados de humor osciláveis, mas nunca deixava que isso contagiasse nosso descomprometimento com a vida, na época. Ela era e deixava ser. Minha querida Tia! A Tia Helena que não irá embora jamais da minha vida, viva eu quanto tempo viver! Hoje, ela se despediu do espetáculo da vida e como uma dama o fez sem barulho, sem alvoroço, sem pesar pelo que viveu. Deixa-nos, mas nunca irá se ausentar de nossos caminhos porque sua presença iluminada deixa todos nós com um pouco dessa luz! Hoje ela se despediu. Quieta.Calma.Tranquila. Deixou para nós a esperança que sempre vale a pena viver porque seu exemplo de vida foi seu melhor conselho. Um grande beijo tia Helena, vou amá-la sempre! As minhas lágrimas jamais traduziriam o meu enorme amor por você, minha grande dama. Que a luz continue a iluminar seus caminhos, agora em direção ao espetáculo final. Mas eu tenho certeza que seu brilho jamais se apagará, que seu texto não terá fim, que a cortina jamais se fechará para o grande espetáculo que é o seu imenso coração. A sua benção, tia Helena e que os anjos do céu saibam recebê-la com muita festa, muita alegria e muito amor. Acredite, eu jamais verei outra estrela como você. Para mim, esse grande palco que é a vida, jamais verá um olhar azul tão brilhante como o seu. Respeitosamente beijo suas mãos e te peço: abençoe-nos aonde quer que você esteja. Ate sempre,tia. Helena era seu nome. Um grande beijo, já com muita saudade.
sábado, 7 de agosto de 2010
Reencontro
Começo este texto como uma citação do livro "O ponto cego" de Lya Luft...( 1999)" É assim, o tempo: devora tudo pelas beiradinhas, roendo, corroendo,recortando e consumindo. E nada nem ninguém lhe escapará, a não ser que faça dele seu bicho de estimação" . Sempre tratei meu tempo como um bichinho amado que apesar de passar, de não ter controle sobre ele, de muitas vezes me esmagar com suas intempéries, não permiti que levasse minhas melhores lembranças, os melhores momentos, as melhores pessoas. E foi assim, vivendo, que tenho em mim a memória viva da minha infância que me mostra hoje, já madura (será?) o tamanho que as pessoas têm em minha vida. Eram tempos de roda, de pular corda, de "passar anel" e tantas outras brincadeiras que nos permitiam ser crianças com direito à liberdade de reunirmos com outras crianças sem o medo que hoje assola a maioria dos pais. Apenas éramos crianças e os pais, adultos que nos mostravam os limites sem que para isso tivessémos um Código a nos proteger contra qualquer tipo de agressão. Vivíamos a nossa época, íamos a escola, almoçávamos aos domingos com a família toda reunida. Todas as famílias tinham seus problemas, como hoje, mas nenhum deles demorava mais do que uma boa conversa para que tudo se resolvesse e outros aparecessem e fossem resolvidos também. Claro que problemas mais sérios sempre existiram e vão existir, mas naquela época ( velha, eu?) éramos nós que vivíamos nossos sonhos e os políticos eram mais comprometidos com a população e, por incrível que pareça, existia, na política, gente séria. E assim o tempo ia passando entre brincar de amarelinha, fazer o dever de escola e estarmos em família que, de preferência, moravam perto uns dos outros. Foi nesse tempo que em meio a tantas visitas familiares, eu conheci a prima de minha mãe, Alzira, que tinha muitos filhos, mas quem a acompanhava sempre era a Roseli, alguns anos mais nova que eu, mas que estava sempre perto de mim e foi a fisionomia dela que mais marcou depois que nos separamos. Tímida, mas risonha, sempre me olhando como se visse em mim a "mocinha" que ela queria ser. A vida foi tomando outros rumos, irmãos casaram, minha mãe ficou viuva, e a família foi aumentando mas cada um perseguindo seus próprios objetivos, mas a distância física foi ficando cada vez maior como que impondo a cada um de nós uma nova realidade. Acabaram-se as brincadeiras, nos víamos com menos frequência, reuniões só nas festas e as crianças foram dando lugar aos adolescentes, adultos e posturas diferentes diante da vida. E não poderia ser diferente comigo. Trouxe comigo todas as ternuras, carinhos e amor que aprendi quando criança, mas já não havia mais tempo para o Papai Noel, em quem acreditei por muito tempo. Trouxe comigo também algumas fantasias, se não como continuar vivendo? Trouxe comigo todos os momentos, manhãs e pessoas que amei, amo e amarei para sempre. Entre essas pessoas tão queridas estava lá a Roseli, minha priminha tímida, mas tão carinhosa, risonha e companheira. Para onde a vida a teria levado? Gostaria tanto de revê-la, mas por onde começar? Sempre na lembrança mas sem a noção real de como reencontrá-la. Aí, dei um "Viva" à nossa era da tecnologia, sem as brincadeiras de criança, com a família menor, com tantos Códigos a indicarem quais os caminhos que a lei tem como certos ou não e que TEMOS que seguir. Alguém disse uma vez: "melhor um mal governo do que nenhum governo", mas aí é outro assunto que prefiro não discutir. E foi assim, através da internet que a Roseli, minha prima, me encontrou ou melhor, reencontrou. Eu mal acreditei quando vi a foto e ela me perguntando sobre as pessoas da família. Era ela! Havia passado de carro com a filha em frente à casa onde eu morava e que ela havia ido tantas vezes e comentou que ali havia morado uma tia muito querida que ela sempre vinha visitar, e falou com a filha que gostaria de me reencontrar. No mesmo dia ( incrível) diante do computador, ela me viu no "facebook" e mandou uma mensagem para confirmar se era eu mesma. E, agora, voltamos a nos encontrar. A vida traça caminhos às escondidas parecendo adivinhar alguns de nossos melhores sonhos. Rever pessoas queridas, amigos, familiares.Hoje já não tão menina, e eu já não tão mocinha, percebo que o tempo apenas nos afastou fisicamente, porque nos nossos corações jamais tínhamos nos esquecido. Ela continua tímida e eu continuo tratando meu tempo como um bichinho de estimação não deixando que a distância me congele e tire de mim os melhores momentos daquele tempo e de todos os tempos que já vivi.Ela fez parte daquela paisagem tão colorida e hoje ela volta, fazendo parte de uma cenário repleto de boas cenas, de uma troca de figurinos, de assentos novos, mas onde o espetáculo ainda se chama "Vida" e melhor, podemos aplaudir juntas esse espetáculo. Ontem ela me contou, disso eu não lembrava, que a primeira boneca dela fui eu quem deu e ela adorou. Eu dei uma boneca e ganhei de volta o presente do reencontro com uma pessoa tão querida. Vida danada essa! Roseli, um grande resgate de carinho, ternura e amizade. Seja bem-vinda de volta...viajamos por países diferentes mas o nosso destino foi um só: descobrirmos a vida, vivê-la da melhor maneira que sabíamos para que hoje, pudéssemos estar juntas novamente. E ainda existem pessoas que não acreditam em milagres. Tantos ela tem operado em mim! E ainda espero outros tantos que, com certeza, virão! E termino por aqui (aff!), citando novamente a escritora Lya, agora em se livro "Perdas e Ganhos"..'."existir é poder refinar nossa consciência de que somos demais preciosos para nos desperdiçarmos buscando ser o que não somos, não podemos, nem queremos ser..." ( 2004, página 92). Eu sempre quis ser o que sou para ter a vida que tenho e amar, querer bem e reencontrar todos os meus sonhos!
segunda-feira, 21 de junho de 2010
A carta dizia: " Estamos em clima de Copa do Mundo.É e está acontecendo lá na África mobilizando o mundo para assitir futebol e torcer pelo seu país. Eu, sinceramente, não entendo de futebol, mas espero que o Brasil vença, afinal, apesar de tudo isso não mudar nada minha vida, sou brasileira. A temperatura é seca, um começo de inverno que mais parece fim e todas as "ites" soltas por aí ( rinite, faringite, sinusite e por aí vai). Mas, é claro que não resolvi escrever para voce para falar de futebol, metereologia ou doenças. Resolvi escrever porque nesse tempo de "festa", onde todos comemoram os gols feitos, eu resolvi prestar atenção nos gols que eu não fiz ou fiz de maneira errada em minha vida. Hoje mesmo por causa de uma conversa mal dirigida fui tremendamente machucada e quem machucou nem se preocupou em olhar para o meu rosto e perceber o quanto tinha sido infeliz em seu comentário. Tentei desviar a bolada que vinha mas o outro jogador foi mais astuto e mandou a bola primeiro...gol para ele. Meu placar estava zerado. Percebi que apesar de conviver há muito tempo com o jogador, eu mal o conhecia ou melhor, não o conhecia o suficiente para saber que, ao menor descuido meu, ele iria tentar ganhar o jogo. A princípio, minha amiga, achei até que ele tinha ganho, mas o dia foi passando, outros fatos acontecendo, pessoas se incorporando em meio a tanta festa, e descobri: ele não havia levado nenhuma vantagem. Ter sido tão rude, irônico e mal educado só havia feito com que a bola da "arrogância" resvalasse em mim e para ele voltasse com toda força. Não que o fato de ter percebido isso tivesse me deixado sentir melhor, mas percebi o quanto ele era estranho para mim e isso sim valeu a pena descobrir. E agora, analisando as outras tantas tentativas de vencer o jogo aproveitando-se de oportunidades em que se sentia mais forte, foram em vão. É claro que ele jamais admitiria isso, nem sob tortura. Minha amiga, ele é orgulhoso e jamais admitiria nem para si mesmo o quanto tem sido infrutíferas as suas tentativas de ser o melhor. Melhor é o que participa do jogo da vida e olha o outro não como adversário, mas como companheiro. Melhor não é aproveitar-se da sensibilidade do outro para se auto afirmar, mas chamá-lo para junto de si e convercê-lo que jogar em parceria é compensador.Melhor é medir palavras, gestos, atitudes antes de arremessar toda sua "bola" de frustrações sobre os outros, e no caso, esse outro era eu! Certo também que como voce mesma costuma dizer, eu permiti que ele me ferisse, ainda que só de esbarrão. É que nunca estou na defensiva, não costumo olhar os outros como se fossem todos iguais a mim, para mim bandido tem cara sim. Não sou uma franca atiradora que sai disparando sua arma de grosso calibre na pessoa que está mais próxima. Também não sou boazinha, mas tenho, pelo menos, o cuidado de olhar, analisar e depois me defender e fazer o meu "time" ganhar. A nossa diferença é a estratégia. Mas, era isso entre tantas coisas que queria contar. Eu não vou mudar por isso e sei que ele também, mas eu tenho certeza que tirei de tudo isso um grande aprendizado: não deixeirei mais me distrair com a festa da arquibancada enquanto o jogador do outro time quer balançar a rede e fazer do meu encantamento com a alegria, o seu gol de revolta. Ele é assim: um eterno jogador que não admite perder e eu uma jogadora que a cada lance perdido, ainda insisto que o próximo jogo ainda será melhor para ambos os lados. E o jogo continua e quem sabe no próximo ao invés de estar ali, tão perto de tomar uma "bolada", eu esteja na arquibancada comemorando a vitória do meu time, da minha emoção, da minha vida. Amiga, obrigada por me escutar ( ou"me"ler) e quando quiser me visite também entre um intervalo e outro de tantos jogos que ainda teremos que assistir, participar e aprender. Valeu Brasil os 3x0 na Costa do Marfim! O jogo lá acabou ontem mesmo depois do tempo determinado, mas o nosso continua e só precisamos ou trocar os uniformes, de torcida ou olhar bem para ver quem é jogador que está ao nosso lado na próxima partida. Um grande abraço!" E assim ela encerrou sua carta me deixando a certeza de que todos se machucam de uma forma ou de outra, mas que o importante mesmo é prosseguir confiante e saber que a vida só dá oportunidades aos que dela querem participar sem medo de perder ou ganhar, mas apenas aprender com o placar que nós mesmos decidiremos qual será.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Dedicatória
Quanto tempo não escrevo! Nem falta de tempo, nem de inspiração ou motivação, apenas um tempo de passagem entre o entrar e sair de mim mesma. Estive recolhida em algum canto, observando pessoas, fatos, minhas próprias conclusões. É, foi um tempo de recolhimento necessário para colocar novos fins em velhas estórias. Valeu. Durante esse tempo de intervalo aproveitei para fazer uma das coisas que mais gosto: ler. Li alguns livros, revistas, artigos interessantes e consegui aprender mais um pouco sobre vários temas. Mas um livro especialmente, me deteve por várias vezes não só pelo conteúdo, mas pela dedicatória ali colocada. Trata-se de um livro sobre as mais belas orações a Nossa Senhora que ganhei de um amigo a quem não vejo há muito tempo. Nunca fui de levantar bandeira para defender religões, crenças ou mesmo a fé das pessoas, mas o livro me foi dado num momento muito especial da minha vida e nessa fase estar conectada com alguma energia não humana era de suma importância para mim. Eu precisava de amigos, de família, de Deus e foi aí que o pequeno-grande livro chegou até minhas mãos através dessa pessoa que acredito, apesar da distância, ainda me querer bem, para valorizar nossa amizade e me apoiou em dias em que sentia até o ar me faltar. Passou, mas o livro, felizmente, ficou e sua dedicatória encerra o conteúdo do que a nossa amizade valia. Não vou transcrevê-la, é longa. Mas, em seu último parágrafo diz assim: ... "e que a virgem do silêncio visite tuas tardes solitárias com raios de sol que entram pela janela do teu quarto". Ela me toca profundamente nessas tardes lindas que o outono nos tem proporcionado e exatamente à tarde quando o sol já está indo embora eu entro no meu quarto e percebo os raios que ,como donos daquele cômodo entram sem pedir licença e iluminam tudo refletindo a magia do acreditar no invisível. Há os que não acreditam e por eles, eu sinto e os amo da mesma maneira. Há os que acreditam e com eles eu divido cada fagulha desse calor vindo do alto. Já disse o grande Gibran, numa citação de seu livro "O Profeta"..."o outono é a mais humana das estações" e nunca um período do ano foi tão humano para mim como este. O meu tempo de recolhimento, de refazimento de forças, de tentativa de aprimoramento. O tempo mais frio, o céu mais limpo, as tardes de um colorido mágico como se fosse uma despedida em grande estilo para o próximo amanhã. Quantas tardes, meu amigo, eu entrei e entro no meu quarto em busca da virgem do silêncio, minha companheira por todo esse tempo e sinto a grande força que existe ali, naquele lugar, olhando para aquela janela e vendo os raios de sol entrarem silenciosamente mas com grande magnitude! Eles acompanham os meus sentimentos mais profundos e tudo clareiam e me fazem sentir parte integrante desse imenso Universo onde fui colocada para me fazer silente, quando necessário. Já não busco, encontrei e através dessa amizade com o que é quieto, calmo, sereno volto a me deparar com a incrível verdade de estar viva e acreditando que cada momento vivido é milagre. Nada de shows com finais estrondosos, com luzes artificiais, com músicas vibrantes. Apenas a cortina se abrindo e eu assistindo ao grande espetáculo que a vida me oferece todas as vezes que me permito ser também parte desse milagre. Sempre serei grata a esse amigo que talvez jamais saiba o quanto sua amizade, seu companheirismo e sua ajuda me fizeram voltar a acreditar no que para mim, na época, já não tinha mais sentido. Hoje relendo essa dedicatória tão carinhosa é que percebo o quanto ter e ser amigo é importante. Mas, mais do que isso: volto a acreditar nos raios de sol silenciosos que entram e dentro de mim fazem a festa de viver!
terça-feira, 23 de março de 2010
ROTINA
Começo citando Elisa Lucinda, poetisa, atriz e mulher sensível que diz: "Parem de falar mal da rotina...parem com esta sina anunciada de que tudo que vai mal se repete. Parece, mas não se repete, não pode repetir, é impossível, o ser é outro, o dia é outro, a hora é outra, ninguém é tão exato." E lendo isso repetidas vezes sinto no ar a pergunta: somos nós que criamos a rotina para organizarmos nossos dias ou a criamos porque não saberíamos viver sem os parâmetros que ela nos dá? Estou aqui falando da rotina externa, daquela em que se levanta pela manhã já sabendo o que fazer o resto do dia e que muitas pessoas não admitem que nada saia de seu controle. Coisa chata isso. Acredito que quem quer o controle sobre todas as horas para viver é porque não tem domínio sobre si mesmo. Exige-se demais e das pessoas também. Como posso basear minha vida na rotina se existem outras pessoas com as quais compartilho meu dia a dia? As pessoas mudam...Ninguém nos impõe coisa nenhuma, a nossa rotina pode ser pesada ou não dependendo de como gerenciamos a nossa vida, de como vemos os acontecimentos, as pessoas e o imprevisível. Planejamos, mas não acontece. Não queremos e aí acontece. Passamos a vida criando abismos e encontros e o tempo só existe porque foram criados calendários, relógios que interferem ( e ferem ) e em meio a tudo isso nos vimos muitas vezes obrigados a cumprir compromissos que nos entendiam e fazem o nosso dia virar a mais tenebrosa das noites. Sinto saudades de uma alegria que faz parte de um mundo aonde eu só tinha esperanças e se elas estavam ou não incluídas na minha rotina pouco importava. Havia esperança, confiança, prazer em se viver, só. Hoje, as pessoas se espremem entre o que tenho que fazer e o que não posso fazer. Comum ouvirmos: " o tempo está passando depressa demais, não tenho mais tempo para nada, já estamos chegando no final de semana de novo" e eu me ponho a pensar: e daí? Qual é o problema? O tempo passa muito depressa ou somos nós que desperdiçamos os minutos tentando cumprir regras previamente estabelecidas e na maioria das vezes não nos faz feliz? Por que não mudar a nossa rotina interior também? Dar um basta a tantas emoções que nos fazem mal, refletir sobre nossa felicidade, colocar os sentimentos em ordem sem a preocupação se é noite, dia, sábado, março, se tem sol lá fora. A rotina impõe, a criação de novos caminhos e com eles novas alternativas nos retira do massacre que é o "ter" que fazer. Por que não admitimos, pelo menos às vezes, sermos ou fazermos coisas que nunca fizemos? Medo de nos perdermos no caminho de volta? Mas que volta se a vida é só seguir em frente. A volta necessária e que deveria ser diária, é a de estarmos dentro de nós buscando novidades, novas maneiras de sorrir, de encararmos a vida, a própria rotina, nossos sentimentos, nossas preocupações que nos roubam grandes momentos de alegria. Claro que muitas pessoas, a maioria delas, não pode largar emprego, família, responsabilidades assumidas e sair por aí gritando: "abaixo a rotina", mas dentro do seu próprio mundo poderia criar novos espaços que o dia a dia não conseguisse transformar em fardo. Complicado mas não impossível. A liberdade vive, dança e canta dentro de nós e não no que a rotina nos impõe. Podemos ser livres apesar de tudo porque temos um mundo interior que anseia por tantas coisas não realizadas em nome de uma ordem que emana de ninguém, que foi criada e é vivida para que nada saia do controle. Podemos ter festa todos os dias. Podemos ter uma vida sensasional e fazermos as festas acontecerem dentro de nós mesmos. Vamos remexer e limpar lá dentro de nós o vai e vem tão absurdamente certo! Mesmo seguindo rotinas deveríamos nos livrar do descontentamento que nos obriga. Darmos algumas paradas para ganharmos tempo. Vivermos sem culpa, ter um pouco da noite, do dia, da madrugada ainda que isso possa ser feito sem que mexamos em nada a não ser dentro de nós mesmos, enfrentendo dores sem perdermos a poesia e me reportando novamente à poetisa": certas repetições são sublimes, são nossos óbvios de estimação". Vivamos a rotina, mas mudemos de calçada.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Gostar de viver!
Terminei de ler um livro de autoria de Martha Medeiros, que além de uma grande escritora, deixa transparecer em seus escritos que se trata de uma alma sensível, conectada num mundo real, mas sem perder a noção da importância de sermos diferentes, respeitados e valorizados por aquilo que sentimos. Em vários livros dela que já li percebo que sempre acrescento um pouco mais de conhecimento sobre vários assuntos. Ela é direta, escreve sobre coisas comuns, de forma clara, sobre fatos, muitas vezes, incomuns mas possíveis de acontecerem a qualquer pessoa. O livro chama-se "Doidas e Santas" e suas crônicas mexem com a emoção de estarmos aqui, vivos, olhando o mundo, as pessoas e tirando de tudo isso um grande aprendizado. Bem humorada em suas considerações, ela deixa aflorar o quanto é importante obervarmos o mundo de várias maneiras. Ela, claro, nem sabe que tem uma admiradora de suas obras aqui escrevendo num blog que, acredito, só eu leia. Mas isso não importa. Importante mesmo é falar, ou melhor, escrever o que sinto com as coisas que a vida me "apronta" de vez em quando. E peloamordeDeus ( como ela mesma diz), ultimamente não tem dado tempo de tomar um fôlego. Não é uma reclamação, apenas uma constatação do grande desvario que tem se mostrado minha vida nesses ultimos dias. Filho operado, dias corridos demais, carro furtado, saudade de quem está longe e que por conta de tanto ir e vir, não tem sobrado tempo para romantismo.Justo comigo, que sou uma romântica incorrigível! Estou tentando retirar alguns anéis de Saturno que insistiram em ficar no meu entorno como seu eu fosse realmente de um outro planeta. A Martha saberia descrever melhor tudo isso, com certeza. Mas eu sou a Maria Cristina e esse é meu modo de ser: escrever sobre minhas emoções sem nenhuma ética específica, coisa que os grandes escritores tem que primar. Os problemas já foram resolvidos, mas deixaram aqui suas pegadas, que o tempo, com certeza, apagará ou abrandará. Amigos queridos têm estado ao meu lado, ainda que muitos, virtualmente, a família, o Deus que eu creio, e a vida que não espera para tratarmos as nossas dores sejam elas quais forem. É bom também. Aprender é necessário, se vamos sofrer ou não, uma opção. Eu opto por não sofrer muito, mas confesso que sofro o suficiente para realinhar algumas posições em minha vida. Dar às pessoas o valor que, para mim, elas tem ou não. Durante a leitura do livro me deparei com situações hilárias, sérias, intensas e por isso, como faço sempre que leio, o livro está todo anotado, sublinhado e comentado. Percebi que muitas coisas ali escritas vieram de encontro ao que muitas vezes sinto, já senti e creio que uma grande maioria de pessoas sentem. Em tudo que foi lido, a enfase maior é a vida. Seus altos e baixos. Suas surpresas, nem sempre boas, mas sempre valorosas. Suas normalidade e excentricidades. Mas, viver é ainda o mais importante em tudo que ela destaca em seus escritos. Apesar de, temos que amar a vida, reverenciá-la, afinal é tudo que temos: a vida! E pra que mais? Grande companhia cada frase, cada observação, cada estória. Fechá-lo foi como acender mais uma luz e ao mesmo tempo deixá-la lá, dentro dele, não li direito. Por tudo isso e muito mais deixo aqui um parágrafo, entre tantos,que li e que me disse muito: "Quero uma primeira vez outra vez. Um primeiro beijo em alguém que ainda não conheço, uma primeira caminhada por uma nova cidade, uma primeira estréia em algo que nunca fiz, quero seguir desfazendo as virgindades que ainda carrego, quero ter sensações inéditas até o fim dos meus dias" ( O que mais você quer?, é o título da crônica). Isso é vontade de viver. Alegria de viver. Aprender a viver. Obrigada, Martha, valeu tudo o que foi escrito, sabido, aprendido. Realmente somos todas doidas e santas, depende da ocasião, mas o mais importante é realmente GOSTAR DE VIVER!
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Um amigo disse.
A vida sempre nos apresenta, sem muita cerimônia, situações que olhamos, analisamos e sabemos que teremos que enfrentar. Quando minha filha foi para a maternidade não pude acompanhá-la e os motivos agora não importam, mas só eu sei o que senti com aquela minha ausência no nascimento do meu primeiro neto. Talvez nem eu e nem ela tenhamos ainda digerido isso direito. Mas ele já está aí, lindo, inteligente e cada vez mais surpreendende. A indigestão, um dia, passa. Falta, para mim, a dose certa do remédio e o abandono da culpa. A falta de atitude, na época, foi o excesso de problema na minha vida e a situação não me permitia se não presenteá-la com a minha ausência. Talvez ela nunca entenda, eu talvez não entendesse se estivesse no lugar dela,também. Tenho a impressão que quando o ser "mãe" foi criado, junto criou-se a cobrança, a preocupação, a culpa e contrapartida um amor sem medidas, um carinho especial, uma benção divina. Hoje, como mãe, ela entenda muito mais. Minha filha, como todas as mães acham (sentem?) é muito especial. Difícil descrevê-la porque meu amor por ela a contornaria de virtudes e os defeitos eu preferiria fazer com que ficassem num canto que só eu visse. Eu a amo muito e ela sabe disso. Agora, a vida me apresenta uma outra situação normal na vida das pessoas, mas nova para mim. Meu filho vai passar por uma cirurgia nesta semana e eu estou aqui escrevendo para extravasar um pouco a minha preocupação. O problema não é sério, mas meu estado de mãe não me deixa alternativa: estarei presente e nem por isso, menos ansiosa. Muitas pessoas com problemas de saude muito sérios existem, eu sei, claro. Mas também sei ser egoísta: a dor dos meus filhos dói mais que a dor de outros filhos não menos especiais para seus pais. Sei que venho tentando me acostumar com a idéia: é só uma simples cirurgia, tudo dará certo, ele é jovem, e por aí vou tomando a pílula do inevitável, todos os dias. Sou dramática, todos dizem. Mas sou mãe e não conseguiria ser diferente e nem quero. Dramática, nasci. Ser mãe, escolhi. Quero e tenho o direito de amar do meu jeito, sem seguir receitas, sem fórmulas. Ser o que apenas eu sei ser. Nada mais. Aí, no meio de tudo isso, recebi um telefonema de um velho e bom amigo com quem desabafei e ele, pacientemente, me ouviu e depois disso achei que viesse uma enciclopédia de conselhos para me acalmar. Mas, ao contrário, ele só disse: Cris, você é só a mãe dele! Como dizendo: "pára de bancar a mulher-maravilha, a Piaf da vida, o tango dramático, você é uma pessoa, só. Não queira controlar a situação, não queira ser a protagonista de uma estória que não é sua, ser mãe não dimimui o risco de ver sofrer ou não os nossos filhos. Também somos filhos. E nossas mães será que possuiam algum super poder e não sofriam a cada machucadura nossa? Vai, mulher, trabalha esse desapego." Ele,em sua maneira prática de encarar a vida,mas amigo, não disse tudo isso, mas foi isso que entendi, felizmente. Depois do telefonema comecei a ver a situação de outra forma, mais digerível, menos anormal, mais tranquila. É. Essa semana promete, mas acredito estar bem para poder olhar e dizer que tudo está acontecendo como deve ser e que eu, tão sensacionalista, mas tão consciente dos meus limites, sou apenas a mãe. Deus é maior!
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Questão de sensibilidade!
Acredito que muitos valores que adquirimos durante a vida passam a fazer parte integrante de todo o nosso ser! Não escrevo aqui daquilo que mostramos aos outros, mas de valores íntimos, tão nossos e tão caros. Posso afirmar que os que tenho não são muitos, mas fazem toda a diferença no meu dia-a-dia. Como diz uma das minhas escritoras favoritas, Martha Medeiros, em seu livro "Doidas e Santas :entre viver e sobreviver há um precipício, e poucos encaram o salto. Confesso que prefiro arriscar o salto do que deixar para viver mais tarde. Sinceridade.Lealdade.Sensibilidade.Gentileza.Amizade. Eu muitas vezes me sinto em terra estranha, lidando com pessoas de outros planetas, terras de outro mundo que não o meu. Não digo isso por julgar ser o meu universo íntimo melhor que o das outras pessoas. Digo porque encontro, com muita dificuldade, alguém que não viva olhando seu próprio umbigo. E cada um tem a sua razão, ou razões. Respeito cada um, mas confesso: não misturo franqueza com deselegância... pressa com rapidez...praticidade com aspereza. Como ainda me dói uma resposta mal dada, um gesto grosseiro, um olhar de desconfiança. Tenho a impressão que existem pessoas que se esquecem de quantas tralhas guardamos dentro de nós em nome de mantermos tradições, costumes, hábitos que já funcionam mais. A estratégia é outra. Não podemos viver como se tivéssemos mil anos pela frente. Temos que reciclar alguns valores para que valha a pena estar vivendo e não apenas sobrevivendo. Eu não consigo me acostumar com "pouca raiz e muito verniz" (alguém disse isso) e parece que hoje é o que vivemos. Se me nego a viver assim, tenho que permanecer na ala dos "não fumantes", como se minha sensibilidade a determinadas coisas contagiasse os mais práticos, eficazes e vitoriosos. Como se o meu desencanto com algumas coisas produzisse uma fumaça tóxica, irrespirável. Sinto que quanto mais me volto para o mundo, mas preciso voltar para mim e para as pesssoas, que assim como eu, se sufocam com a atmosfera poluída dos "sem raízes". Televisão, revista, jornal, veículos importantes como meios de comunicação, mas poluidores de nossas melhores ilusões. Como acreditar que o amanhã será melhor se só vemos tragédias, calamidades, misérias. Alguém poderá pensar: mas é essa a realidade! E eu digo que sei da realidade, não estou alienada aos problemas que o mundo enfrenta, mas não preciso ter medo dessa realiade e nem correr para fazer tudo porque o mundo poderá acabar amanhã. Quero arrriscar o salto. É preciso sair dos bastidores para poder ver o espetáculo como realmente é. E o que é de verdade é o que somos, o que fazemos de nós, o que damos à vida que todos os dias nos preenche de fatos positivos, pessoas maravilhosas, caminhos novos que nos surpreende.É tão frustrante quando nada mais nos surpreende. Temos que reinventar a vida sim, porque ela em branco e preto fica impossivel de ser vivida com alegria, com largueza de sorrisos, com fé em algo muito maior que nós e que chamamos Deus. Nem sempre as coisas precisam ser iguais. Temos que recriar passos, inventar cores, dinamizar movimentos, se não seremos engolidos antes de tudo realmente terminar. E todos nós, querendo ou não, terminaremos um dia. Um amigo, que já partiu, me disse uma vez que minha sensibilidade era como uma corda de violino. Ele tem razão.. Minha sensibilidade já me fez sofrer muito mais do que deveria, mas também já me deu alegrias incontáveis, alegrias que teriam ficado no meio do caminho não fosse ser eu a pessoa que sou,alegrias-tristes. Repito, não me julgo melhor que ninguém. Apenas tenho alguma tristeza em ver que a maioria das pessoas está hoje mais voltada para olhar para fora do que viajar no seu próprio íntimo e descobrir suas próprias belezas. Elas tem pressa. Esmagam sua sensibilidade e vão atropelando tudo e todos, até a si próprias. E assim esse mundinho vai ficando pior, mais frio, mais distante as pessoas umas das outras, a natureza brava e o Pai Nosso indignado com Seus filhos. Não me dêem a segurança do salto. Não quero um pára-quedas. O pulo para viver de verdade é inevitável. Lá vou eu!
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Reaprendendo
Depois de alguns tropeços, portas que precisei fechar, realidades que insistiram em permanecer, acreditei ter perdido o "sentido" do que é ter, estar e sentir-se em família. Quando a maioria das coisas hoje nos grita outros valores, atitudes e sentimentos, estar em família é quase uma utopia...todos muito preocupados com o prático, o mais fácil, a correria para todas as coisas e aí os sentimentos maiores deixaram de ter tanta importância, ou, em muitos casos, foram abafados por conta do novo ritmo que nos foi empurrado garganta abaixo e que, por uma questão de sobrevivência, incorporamos também. Mas devo confessar que sempre senti muita falta das pessoas que amo verdadeiramente e não poder estar com elas por um longo período me fez enxergar que os sentimentos verdadeiros jamais morrem. Depois de um longo caminho estreito atravessado, de muitos momentos sózinha, longe dos que me são tão caros, retorno a mim mesma e revejo valores que achei não existissem mais dentro de mim. Não por ser Natal, início de um novo ano, festas...não, os motivos que me levam a deixar aqui o meu recado é resgatar a minha alegria, a minha felicidade e grande parte da minha vida que acreditava perdida agora mais amadurecida... Há um ano ,depois de perdas irreparáveis, profundas, intensas, mas hoje convertidas em ensinamentos, me vejo olhando realidades apenas como fatos que a vida leva e traz e os sonhos que continuo sonhando esperam o momento exato pra acontecer. Hoje, por conta dos desvios, ilusões e delírios, me encontro comigo mesma e gosto do que sinto, vejo e vivo...Hoje eu sou minha família e dentro de mim consegui trazer de volta o "sentido"de ter quem eu amo perto de mim, novamente. Infelizmente, a alegria realmente não nos ensina nada, somos felizes apenas...mas, quando sofremos a alma grita por amparo e é aí que sentimos que apesar de sermos "indivíduos" , fazemos parte de um mundo inteiro onde todos tem seus lugares marcados. A sabedoria me fez entender que esse intervalo entre o viver e o morrer é o mais importante , porque é nesse espaço de tempo que temos a grande oportunidade de realizar, de ser e sentir o grande prazer de não ter passado em vão. Resgatei valores, acrescentei outros e desprezei o que já não importa. Perdas foram necessárias, ganhos foram consequências, estar vivo, aqui, agora ,uma benção colorida de risos, alegrias e reencontros apenas me dando conta que a vida me deu a oportunidade de combater o bom combate e abraçar cada momento como único...Reaprendendo a nascer e ter de volta pessoas tão queridas...Obrigada família, vcs. são realmente um dos grandes motivos da minha alegria! Prometo escrever outros textos menos carregados de tanta emoção, mas não esperem de mim apenas palavras sem sentimentos, elas estarão sempre junto com meu coração...e aí eu estarei!
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Silêncio...
Muitas vezes precisamos do silêncio que vem para equilibrar nossas inquietações, para colocar ordem lá dentro da gente, silêncios que chegam como verdadeiros bálsamos para alguns males que nem mesmo sabemos o que é! Aí nos aquietamos, ficamos reflexivos e deixando que a quietude nos mostre o caminho para algumas soluções necessárias.E aí me permito deixar aqui a frase da grande escritora Clarice Lispector( Aprendendo a Viver") quando conclui: " há dias que vivo de raiva de viver"... Quem de nós nunca precisou "dar-se"um tempo para uma boa faxina interna e depois retornar sem que o barulho nos incomode? Os que me conhecem sabem que adoro estar com pessoas, gosto muito de ouvir música e às vezes alta para o gosto de alguns..Mas, às vezes preciso ouvir meus próprios gritos e aí me permito momentos de intenso silêncio interior e exterior. Às vezes esses silêncios atravessam dias e muita gente nem percebe. Ontem, porém, quando filhos e neto foram embora depois de aqui passarem o final de semana,percebi que havia alguma coisa me incomodando muito e descobri: o silêncio que ficara depois de tanta "folia", brincadeiras, conversas! Ele, principalmente ele, o Iago havia levado com ele a melhor coisa dessa vida e que só é possível quando se é criança: a verdadeira alegria de viver. Sem compromissos. Sem datas marcadas. Sem saber se hoje era ou não segunda-feira , a alegria de ser um menino feliz e sem medo a mostrar a ninguém a sua felicidade... Brincar, gritar e fazer acontecer sem a preocupação de "será que tem alguém pra me censurar?". Essa liberadade só a infância dá, porque é só nas ingênuas e sábias crianças que encontramos o grande valor de ser o que são, o valor da liberdade, e o valor da sinceridade...Por dois dias ele preencheu todos os cantos da casa com seu jeito feliz de ser o que é e não buscou nada a não ser continuar feliz fazendo-nos felizes também. Grande garoto esse meu neto...! Nós, adultos, temos que parar e olhar com muita cautela o quanto a garotada já tem pronto! Nasceram com brilho próprio...aprendem rápido...não questionam porque a vida é assim ou não...comem quando sentem fome...tomam banho só sob protesto...dormem quando sentem sono, não importa a hora, o lugar, o período do dia...São verdadeiramente livres...e, de verdade, só eles são. Alguém disse também: "sinceros são as crianças e os loucos. As crianças a gente educa e os loucos a gente tranca"... Ficou o silêncio Iago, o seu barulho foi o calmante, o bálsamo, a alegria de poder compartilhar com você seus momentos felizes. Até achar um lugar pra eu ficar bem depois que ele se foi, demorou...mas acabei parando, observando e concluindo que estarei sempre aqui esperando sua alegria e que voce é um dos grandes motivos da minha felicidade, da nossa felicidade...Ele jamais deixará só o silêncio, porque junto ficarão os risos, o barulho dos passinhos, o olhar de quem sabe que ama e é muito amado. Não irá nunca, ficará sempre e até a volta vamos nos lembrando dos dias de barulho, onde o silêncio foi esquecido e não fez falta nenhuma...Eram dias para sermos mais felizes e fomos e a cada volta seremos mais ainda...Seu riso verdadeiro me dá a certeza de que o silêncio só é bom porque existem crianças para quebrá-lo e nos trazer de volta a sensação maravilhosa de que um dia também fomos assim e nossos risos sinceros coloriram a vida daqueles a quem amamos e nos amam, ou nos amaram, tanto! Venha sempre Iago, precisaremos sempre da sua alegria! Não se ama mais aos netos do que aos filhos...amamos de formas diferentes...sem, como eles, os pais, termos o compromisso de olharmos a "figurinha" e nos carregarmos de deveres, obrigações e cobranças...isso, ainda, é tarefa dos pais...(a maioria ainda pensa assim). Aos avós só a alegria de ter invertido regras, soltado as amarras e quebrados todos os silêncios...Com muito amor!
domingo, 3 de janeiro de 2010
Já estamos em 2010!
O domingo quente parece querer também aquecer esse novo ano que chegou. Mas, paro para olhar e percebo que em meio a tantas comemorações, festejos e agradecimentos pelo ano que vivemos, não dá pra fazer de conta que muitos não tem o que comemorar! A natureza num ato de pedido de socorro deixou suas marcas na vida de muitas pessoas...Cidades sumiram embaixo das águas, monumentos destruídos, sonhos rolaram morro abaixo, e a tristeza, infelizmente, também fez parte desse novo ano que mal começou...Reconstruir é a palavra, mas é a minha palavra...será que aqueles que hoje já nada tem, além da realidade dura que a vida trouxe , a vontade de reconstruir? Acredito, e quero acreditar, que muitos terão força, coragem e fé para reerguerem suas vidas, mas acredito também que alguns prefiram não mais sonhar. Os atingidos diretamente pelo caos instalado no país talvez procurem alguém responsável por tudo o que lhes aconteceu. A natureza se revoltou porque tem sido desprezada e os poderosos, totalmente irresponsáveis, confortavelmente instalados, não arcarão, mais uma vez, com prejuízos causados. Afinal, foi a "natureza"e não eles que ocasionaram chuvas, destruição e perdas...será? Aonde estão os projetos sociais que garantam a essas pessoas moradias mais dignas, em lugares sem riscos de desabamentos e aonde possam viver, criarem suas famílias com segurança e respeito? Alguém viu? Alguém sabe onde se escondem? Onde estão os poderosos em quem votamos e que nada fazem para diminuirem essas tragédias que, a cada ano, se repetem com mais intensidade, calamidades e vítimas? Vergonha nacional...O nosso final de ano foi bom? Estávamos devidamente instalados em lugares seguros'? Que ótimo! Mas até quando teremos que viver como se só nós tivéssemos o direito de um "Feliz Natal e um Próspero Ano Novo"!? Talvez ninguém jamais leia essa minha página, mas fica aqui meu desabafo e minha covardia diante da brutalidade indiferente de um povo sem comando...ou pior, diante dos que estão aí no poder e pensam: "se está bom mim, cadê os outros?"... Espero que 2010 seja realmente um ano novo em acontecimentos positivos...minha casa não desabou, a chuva apenas molhou minha roupa, minha família vai bem,obrigada e os amigos também..., mas espero que no final deste ano tenhamos todos realmente o que comemorar...Feliz 2010 a todos que sabem olhar além de seu próprio mundo e enxergar o outro, aquele que talvez more num morro, aí próximo da casa de cada um de nós...poderíamos ser um deles ou será que fomos feitos de outra argila? Revoltas à parte, que tenhamos um ano repleto de realizações, paz e muita alegria!
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