A carta dizia: " Estamos em clima de Copa do Mundo.É e está acontecendo lá na África mobilizando o mundo para assitir futebol e torcer pelo seu país. Eu, sinceramente, não entendo de futebol, mas espero que o Brasil vença, afinal, apesar de tudo isso não mudar nada minha vida, sou brasileira. A temperatura é seca, um começo de inverno que mais parece fim e todas as "ites" soltas por aí ( rinite, faringite, sinusite e por aí vai). Mas, é claro que não resolvi escrever para voce para falar de futebol, metereologia ou doenças. Resolvi escrever porque nesse tempo de "festa", onde todos comemoram os gols feitos, eu resolvi prestar atenção nos gols que eu não fiz ou fiz de maneira errada em minha vida. Hoje mesmo por causa de uma conversa mal dirigida fui tremendamente machucada e quem machucou nem se preocupou em olhar para o meu rosto e perceber o quanto tinha sido infeliz em seu comentário. Tentei desviar a bolada que vinha mas o outro jogador foi mais astuto e mandou a bola primeiro...gol para ele. Meu placar estava zerado. Percebi que apesar de conviver há muito tempo com o jogador, eu mal o conhecia ou melhor, não o conhecia o suficiente para saber que, ao menor descuido meu, ele iria tentar ganhar o jogo. A princípio, minha amiga, achei até que ele tinha ganho, mas o dia foi passando, outros fatos acontecendo, pessoas se incorporando em meio a tanta festa, e descobri: ele não havia levado nenhuma vantagem. Ter sido tão rude, irônico e mal educado só havia feito com que a bola da "arrogância" resvalasse em mim e para ele voltasse com toda força. Não que o fato de ter percebido isso tivesse me deixado sentir melhor, mas percebi o quanto ele era estranho para mim e isso sim valeu a pena descobrir. E agora, analisando as outras tantas tentativas de vencer o jogo aproveitando-se de oportunidades em que se sentia mais forte, foram em vão. É claro que ele jamais admitiria isso, nem sob tortura. Minha amiga, ele é orgulhoso e jamais admitiria nem para si mesmo o quanto tem sido infrutíferas as suas tentativas de ser o melhor. Melhor é o que participa do jogo da vida e olha o outro não como adversário, mas como companheiro. Melhor não é aproveitar-se da sensibilidade do outro para se auto afirmar, mas chamá-lo para junto de si e convercê-lo que jogar em parceria é compensador.Melhor é medir palavras, gestos, atitudes antes de arremessar toda sua "bola" de frustrações sobre os outros, e no caso, esse outro era eu! Certo também que como voce mesma costuma dizer, eu permiti que ele me ferisse, ainda que só de esbarrão. É que nunca estou na defensiva, não costumo olhar os outros como se fossem todos iguais a mim, para mim bandido tem cara sim. Não sou uma franca atiradora que sai disparando sua arma de grosso calibre na pessoa que está mais próxima. Também não sou boazinha, mas tenho, pelo menos, o cuidado de olhar, analisar e depois me defender e fazer o meu "time" ganhar. A nossa diferença é a estratégia. Mas, era isso entre tantas coisas que queria contar. Eu não vou mudar por isso e sei que ele também, mas eu tenho certeza que tirei de tudo isso um grande aprendizado: não deixeirei mais me distrair com a festa da arquibancada enquanto o jogador do outro time quer balançar a rede e fazer do meu encantamento com a alegria, o seu gol de revolta. Ele é assim: um eterno jogador que não admite perder e eu uma jogadora que a cada lance perdido, ainda insisto que o próximo jogo ainda será melhor para ambos os lados. E o jogo continua e quem sabe no próximo ao invés de estar ali, tão perto de tomar uma "bolada", eu esteja na arquibancada comemorando a vitória do meu time, da minha emoção, da minha vida. Amiga, obrigada por me escutar ( ou"me"ler) e quando quiser me visite também entre um intervalo e outro de tantos jogos que ainda teremos que assistir, participar e aprender. Valeu Brasil os 3x0 na Costa do Marfim! O jogo lá acabou ontem mesmo depois do tempo determinado, mas o nosso continua e só precisamos ou trocar os uniformes, de torcida ou olhar bem para ver quem é jogador que está ao nosso lado na próxima partida. Um grande abraço!" E assim ela encerrou sua carta me deixando a certeza de que todos se machucam de uma forma ou de outra, mas que o importante mesmo é prosseguir confiante e saber que a vida só dá oportunidades aos que dela querem participar sem medo de perder ou ganhar, mas apenas aprender com o placar que nós mesmos decidiremos qual será.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Dedicatória
Quanto tempo não escrevo! Nem falta de tempo, nem de inspiração ou motivação, apenas um tempo de passagem entre o entrar e sair de mim mesma. Estive recolhida em algum canto, observando pessoas, fatos, minhas próprias conclusões. É, foi um tempo de recolhimento necessário para colocar novos fins em velhas estórias. Valeu. Durante esse tempo de intervalo aproveitei para fazer uma das coisas que mais gosto: ler. Li alguns livros, revistas, artigos interessantes e consegui aprender mais um pouco sobre vários temas. Mas um livro especialmente, me deteve por várias vezes não só pelo conteúdo, mas pela dedicatória ali colocada. Trata-se de um livro sobre as mais belas orações a Nossa Senhora que ganhei de um amigo a quem não vejo há muito tempo. Nunca fui de levantar bandeira para defender religões, crenças ou mesmo a fé das pessoas, mas o livro me foi dado num momento muito especial da minha vida e nessa fase estar conectada com alguma energia não humana era de suma importância para mim. Eu precisava de amigos, de família, de Deus e foi aí que o pequeno-grande livro chegou até minhas mãos através dessa pessoa que acredito, apesar da distância, ainda me querer bem, para valorizar nossa amizade e me apoiou em dias em que sentia até o ar me faltar. Passou, mas o livro, felizmente, ficou e sua dedicatória encerra o conteúdo do que a nossa amizade valia. Não vou transcrevê-la, é longa. Mas, em seu último parágrafo diz assim: ... "e que a virgem do silêncio visite tuas tardes solitárias com raios de sol que entram pela janela do teu quarto". Ela me toca profundamente nessas tardes lindas que o outono nos tem proporcionado e exatamente à tarde quando o sol já está indo embora eu entro no meu quarto e percebo os raios que ,como donos daquele cômodo entram sem pedir licença e iluminam tudo refletindo a magia do acreditar no invisível. Há os que não acreditam e por eles, eu sinto e os amo da mesma maneira. Há os que acreditam e com eles eu divido cada fagulha desse calor vindo do alto. Já disse o grande Gibran, numa citação de seu livro "O Profeta"..."o outono é a mais humana das estações" e nunca um período do ano foi tão humano para mim como este. O meu tempo de recolhimento, de refazimento de forças, de tentativa de aprimoramento. O tempo mais frio, o céu mais limpo, as tardes de um colorido mágico como se fosse uma despedida em grande estilo para o próximo amanhã. Quantas tardes, meu amigo, eu entrei e entro no meu quarto em busca da virgem do silêncio, minha companheira por todo esse tempo e sinto a grande força que existe ali, naquele lugar, olhando para aquela janela e vendo os raios de sol entrarem silenciosamente mas com grande magnitude! Eles acompanham os meus sentimentos mais profundos e tudo clareiam e me fazem sentir parte integrante desse imenso Universo onde fui colocada para me fazer silente, quando necessário. Já não busco, encontrei e através dessa amizade com o que é quieto, calmo, sereno volto a me deparar com a incrível verdade de estar viva e acreditando que cada momento vivido é milagre. Nada de shows com finais estrondosos, com luzes artificiais, com músicas vibrantes. Apenas a cortina se abrindo e eu assistindo ao grande espetáculo que a vida me oferece todas as vezes que me permito ser também parte desse milagre. Sempre serei grata a esse amigo que talvez jamais saiba o quanto sua amizade, seu companheirismo e sua ajuda me fizeram voltar a acreditar no que para mim, na época, já não tinha mais sentido. Hoje relendo essa dedicatória tão carinhosa é que percebo o quanto ter e ser amigo é importante. Mas, mais do que isso: volto a acreditar nos raios de sol silenciosos que entram e dentro de mim fazem a festa de viver!
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