terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Questão de sensibilidade!

Acredito que muitos valores que adquirimos durante a vida passam a fazer parte integrante de todo o nosso ser! Não escrevo aqui daquilo que mostramos aos outros, mas de valores íntimos, tão nossos e tão caros. Posso afirmar que os que tenho não são muitos, mas fazem toda a diferença no meu dia-a-dia. Como diz uma das minhas escritoras favoritas, Martha Medeiros, em seu livro "Doidas e Santas :entre viver e sobreviver há um precipício, e poucos encaram o salto. Confesso que prefiro arriscar o salto do que deixar para viver mais tarde. Sinceridade.Lealdade.Sensibilidade.Gentileza.Amizade. Eu muitas vezes me sinto em terra estranha, lidando com pessoas de outros planetas, terras de outro mundo que não o meu. Não digo isso por julgar ser o meu universo íntimo melhor que o das outras pessoas. Digo porque encontro, com muita dificuldade, alguém que não viva olhando seu próprio umbigo. E cada um tem a sua razão, ou razões. Respeito cada um, mas confesso: não misturo franqueza com deselegância... pressa com rapidez...praticidade com aspereza. Como ainda me dói uma resposta mal dada, um gesto grosseiro, um olhar de desconfiança. Tenho a impressão que existem pessoas que se esquecem de quantas tralhas guardamos dentro de nós em nome de mantermos tradições, costumes, hábitos que já funcionam mais. A estratégia é outra. Não podemos viver como se tivéssemos mil anos pela frente. Temos que reciclar alguns valores para que valha a pena estar vivendo e não apenas sobrevivendo. Eu não consigo me acostumar com "pouca raiz e muito verniz" (alguém disse isso) e parece que hoje é o que vivemos. Se me nego a viver assim, tenho que permanecer na ala dos "não fumantes", como se minha sensibilidade a determinadas coisas contagiasse os mais práticos, eficazes e vitoriosos. Como se o meu desencanto com algumas coisas produzisse uma fumaça tóxica, irrespirável. Sinto que quanto mais me volto para o mundo, mas preciso voltar para mim e para as pesssoas, que assim como eu, se sufocam com a atmosfera poluída dos "sem raízes". Televisão, revista, jornal, veículos importantes como meios de comunicação, mas poluidores de nossas melhores ilusões. Como acreditar que o amanhã será melhor se só vemos tragédias, calamidades, misérias. Alguém poderá pensar: mas é essa a realidade! E eu digo que sei da realidade, não estou alienada aos problemas que o mundo enfrenta, mas não preciso ter medo dessa realiade e nem correr para fazer tudo porque o mundo poderá acabar amanhã. Quero arrriscar o salto. É preciso sair dos bastidores para poder ver o espetáculo como realmente é. E o que é de verdade é o que somos, o que fazemos de nós, o que damos à vida que todos os dias nos preenche de fatos positivos, pessoas maravilhosas, caminhos novos que nos surpreende.É tão frustrante quando nada mais nos surpreende. Temos que reinventar a vida sim, porque ela em branco e preto fica impossivel de ser vivida com alegria, com largueza de sorrisos, com fé em algo muito maior que nós e que chamamos Deus. Nem sempre as coisas precisam ser iguais. Temos que recriar passos, inventar cores, dinamizar movimentos, se não seremos engolidos antes de tudo realmente terminar. E todos nós, querendo ou não, terminaremos um dia. Um amigo, que já partiu, me disse uma vez que minha sensibilidade era como uma corda de violino. Ele tem razão.. Minha sensibilidade já me fez sofrer muito mais do que deveria, mas também já me deu alegrias incontáveis, alegrias que teriam ficado no meio do caminho não fosse ser eu a pessoa que sou,alegrias-tristes. Repito, não me julgo melhor que ninguém. Apenas tenho alguma tristeza em ver que a maioria das pessoas está hoje mais voltada para olhar para fora do que viajar no seu próprio íntimo e descobrir suas próprias belezas. Elas tem pressa. Esmagam sua sensibilidade e vão atropelando tudo e todos, até a si próprias. E assim esse mundinho vai ficando pior, mais frio, mais distante as pessoas umas das outras, a natureza brava e o Pai Nosso indignado com Seus filhos. Não me dêem a segurança do salto. Não quero um pára-quedas. O pulo para viver de verdade é inevitável. Lá vou eu!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Reaprendendo

Depois de alguns tropeços, portas que precisei fechar, realidades que insistiram em permanecer, acreditei ter perdido o "sentido" do que é ter, estar e sentir-se em família. Quando a maioria das coisas hoje nos grita outros valores, atitudes e sentimentos, estar em família é quase uma utopia...todos muito preocupados com o prático, o mais fácil, a correria para todas as coisas e aí os sentimentos maiores deixaram de ter tanta importância, ou, em muitos casos, foram abafados por conta do novo ritmo que nos foi empurrado garganta abaixo e que, por uma questão de sobrevivência, incorporamos também. Mas devo confessar que sempre senti muita falta das pessoas que amo verdadeiramente e não poder estar com elas por um longo período me fez enxergar que os sentimentos verdadeiros jamais morrem. Depois de um longo caminho estreito atravessado, de muitos momentos sózinha, longe dos que me são tão caros, retorno a mim mesma e revejo valores que achei não existissem mais dentro de mim. Não por ser Natal, início de um novo ano, festas...não, os motivos que me levam a deixar aqui o meu recado é resgatar a minha alegria, a minha felicidade e grande parte da minha vida que acreditava perdida agora mais amadurecida... Há um ano ,depois de perdas irreparáveis, profundas, intensas, mas hoje convertidas em ensinamentos, me vejo olhando realidades apenas como fatos que a vida leva e traz e os sonhos que continuo sonhando esperam o momento exato pra acontecer. Hoje, por conta dos desvios, ilusões e delírios, me encontro comigo mesma e gosto do que sinto, vejo e vivo...Hoje eu sou minha família e dentro de mim consegui trazer de volta o "sentido"de ter quem eu amo perto de mim, novamente. Infelizmente, a alegria realmente não nos ensina nada, somos felizes apenas...mas, quando sofremos a alma grita por amparo e é aí que sentimos que apesar de sermos "indivíduos" , fazemos parte de um mundo inteiro onde todos tem seus lugares marcados. A sabedoria me fez entender que esse intervalo entre o viver e o morrer é o mais importante , porque é nesse espaço de tempo que temos a grande oportunidade de realizar, de ser e sentir o grande prazer de não ter passado em vão. Resgatei valores, acrescentei outros e desprezei o que já não importa. Perdas foram necessárias, ganhos foram consequências, estar vivo, aqui, agora ,uma benção colorida de risos, alegrias e reencontros apenas me dando conta que a vida me deu a oportunidade de combater o bom combate e abraçar cada momento como único...Reaprendendo a nascer e ter de volta pessoas tão queridas...Obrigada família, vcs. são realmente um dos grandes motivos da minha alegria! Prometo escrever outros textos menos carregados de tanta emoção, mas não esperem de mim apenas palavras sem sentimentos, elas estarão sempre junto com meu coração...e aí eu estarei!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Silêncio...

Muitas vezes precisamos do silêncio que vem para equilibrar nossas inquietações, para colocar ordem lá dentro da gente, silêncios que chegam como verdadeiros bálsamos para alguns males que nem mesmo sabemos o que é! Aí nos aquietamos, ficamos reflexivos e deixando que a quietude nos mostre o caminho para algumas soluções necessárias.E aí me permito deixar aqui a frase da grande escritora Clarice Lispector( Aprendendo a Viver") quando conclui: " há dias que vivo de raiva de viver"... Quem de nós nunca precisou "dar-se"um tempo para uma boa faxina interna e depois retornar sem que o barulho nos incomode? Os que me conhecem sabem que adoro estar com pessoas, gosto muito de ouvir música e às vezes alta para o gosto de alguns..Mas, às vezes preciso ouvir meus próprios gritos e aí me permito momentos de intenso silêncio interior e exterior. Às vezes esses silêncios atravessam dias e muita gente nem percebe. Ontem, porém, quando filhos e neto foram embora depois de aqui passarem o final de semana,percebi que havia alguma coisa me incomodando muito e descobri: o silêncio que ficara depois de tanta "folia", brincadeiras, conversas! Ele, principalmente ele, o Iago havia levado com ele a melhor coisa dessa vida e que só é possível quando se é criança: a verdadeira alegria de viver. Sem compromissos. Sem datas marcadas. Sem saber se hoje era ou não segunda-feira , a alegria de ser um menino feliz e sem medo a mostrar a ninguém a sua felicidade... Brincar, gritar e fazer acontecer sem a preocupação de "será que tem alguém pra me censurar?". Essa liberadade só a infância dá, porque é só nas ingênuas e sábias crianças que encontramos o grande valor de ser o que são, o valor da liberdade, e o valor da sinceridade...Por dois dias ele preencheu todos os cantos da casa com seu jeito feliz de ser o que é e não buscou nada a não ser continuar feliz fazendo-nos felizes também. Grande garoto esse meu neto...! Nós, adultos, temos que parar e olhar com muita cautela o quanto a garotada já tem pronto! Nasceram com brilho próprio...aprendem rápido...não questionam porque a vida é assim ou não...comem quando sentem fome...tomam banho só sob protesto...dormem quando sentem sono, não importa a hora, o lugar, o período do dia...São verdadeiramente livres...e, de verdade, só eles são. Alguém disse também: "sinceros são as crianças e os loucos. As crianças a gente educa e os loucos a gente tranca"... Ficou o silêncio Iago, o seu barulho foi o calmante, o bálsamo, a alegria de poder compartilhar com você seus momentos felizes. Até achar um lugar pra eu ficar bem depois que ele se foi, demorou...mas acabei parando, observando e concluindo que estarei sempre aqui esperando sua alegria e que voce é um dos grandes motivos da minha felicidade, da nossa felicidade...Ele jamais deixará só o silêncio, porque junto ficarão os risos, o barulho dos passinhos, o olhar de quem sabe que ama e é muito amado. Não irá nunca, ficará sempre e até a volta vamos nos lembrando dos dias de barulho, onde o silêncio foi esquecido e não fez falta nenhuma...Eram dias para sermos mais felizes e fomos e a cada volta seremos mais ainda...Seu riso verdadeiro me dá a certeza de que o silêncio só é bom porque existem crianças para quebrá-lo e nos trazer de volta a sensação maravilhosa de que um dia também fomos assim e nossos risos sinceros coloriram a vida daqueles a quem amamos e nos amam, ou nos amaram, tanto! Venha sempre Iago, precisaremos sempre da sua alegria! Não se ama mais aos netos do que aos filhos...amamos de formas diferentes...sem, como eles, os pais, termos o compromisso de olharmos a "figurinha" e nos carregarmos de deveres, obrigações e cobranças...isso, ainda, é tarefa dos pais...(a maioria ainda pensa assim). Aos avós só a alegria de ter invertido regras, soltado as amarras e quebrados todos os silêncios...Com muito amor!

domingo, 3 de janeiro de 2010

Já estamos em 2010!

O domingo quente parece querer também aquecer esse novo ano que chegou. Mas, paro para olhar e percebo que em meio a tantas comemorações, festejos e agradecimentos pelo ano que vivemos, não dá pra fazer de conta que muitos não tem o que comemorar! A natureza num ato de pedido de socorro deixou suas marcas na vida de muitas pessoas...Cidades sumiram embaixo das águas, monumentos destruídos, sonhos rolaram morro abaixo, e a tristeza, infelizmente, também fez parte desse novo ano que mal começou...Reconstruir é a palavra, mas é a minha palavra...será que aqueles que hoje já nada tem, além da realidade dura que a vida trouxe , a vontade de reconstruir? Acredito, e quero acreditar, que muitos terão força, coragem e fé para reerguerem suas vidas, mas acredito também que alguns prefiram não mais sonhar. Os atingidos diretamente pelo caos instalado no país talvez procurem alguém responsável por tudo o que lhes aconteceu. A natureza se revoltou porque tem sido desprezada e os poderosos, totalmente irresponsáveis, confortavelmente instalados, não arcarão, mais uma vez, com prejuízos causados. Afinal, foi a "natureza"e não eles que ocasionaram chuvas, destruição e perdas...será? Aonde estão os projetos sociais que garantam a essas pessoas moradias mais dignas, em lugares sem riscos de desabamentos e aonde possam viver, criarem suas famílias com segurança e respeito? Alguém viu? Alguém sabe onde se escondem? Onde estão os poderosos em quem votamos e que nada fazem para diminuirem essas tragédias que, a cada ano, se repetem com mais intensidade, calamidades e vítimas? Vergonha nacional...O nosso final de ano foi bom? Estávamos devidamente instalados em lugares seguros'? Que ótimo! Mas até quando teremos que viver como se só nós tivéssemos o direito de um "Feliz Natal e um Próspero Ano Novo"!? Talvez ninguém jamais leia essa minha página, mas fica aqui meu desabafo e minha covardia diante da brutalidade indiferente de um povo sem comando...ou pior, diante dos que estão aí no poder e pensam: "se está bom mim, cadê os outros?"... Espero que 2010 seja realmente um ano novo em acontecimentos positivos...minha casa não desabou, a chuva apenas molhou minha roupa, minha família vai bem,obrigada e os amigos também..., mas espero que no final deste ano tenhamos todos realmente o que comemorar...Feliz 2010 a todos que sabem olhar além de seu próprio mundo e enxergar o outro, aquele que talvez more num morro, aí próximo da casa de cada um de nós...poderíamos ser um deles ou será que fomos feitos de outra argila? Revoltas à parte, que tenhamos um ano repleto de realizações, paz e muita alegria!