Terminei de ler um livro de autoria de Martha Medeiros, que além de uma grande escritora, deixa transparecer em seus escritos que se trata de uma alma sensível, conectada num mundo real, mas sem perder a noção da importância de sermos diferentes, respeitados e valorizados por aquilo que sentimos. Em vários livros dela que já li percebo que sempre acrescento um pouco mais de conhecimento sobre vários assuntos. Ela é direta, escreve sobre coisas comuns, de forma clara, sobre fatos, muitas vezes, incomuns mas possíveis de acontecerem a qualquer pessoa. O livro chama-se "Doidas e Santas" e suas crônicas mexem com a emoção de estarmos aqui, vivos, olhando o mundo, as pessoas e tirando de tudo isso um grande aprendizado. Bem humorada em suas considerações, ela deixa aflorar o quanto é importante obervarmos o mundo de várias maneiras. Ela, claro, nem sabe que tem uma admiradora de suas obras aqui escrevendo num blog que, acredito, só eu leia. Mas isso não importa. Importante mesmo é falar, ou melhor, escrever o que sinto com as coisas que a vida me "apronta" de vez em quando. E peloamordeDeus ( como ela mesma diz), ultimamente não tem dado tempo de tomar um fôlego. Não é uma reclamação, apenas uma constatação do grande desvario que tem se mostrado minha vida nesses ultimos dias. Filho operado, dias corridos demais, carro furtado, saudade de quem está longe e que por conta de tanto ir e vir, não tem sobrado tempo para romantismo.Justo comigo, que sou uma romântica incorrigível! Estou tentando retirar alguns anéis de Saturno que insistiram em ficar no meu entorno como seu eu fosse realmente de um outro planeta. A Martha saberia descrever melhor tudo isso, com certeza. Mas eu sou a Maria Cristina e esse é meu modo de ser: escrever sobre minhas emoções sem nenhuma ética específica, coisa que os grandes escritores tem que primar. Os problemas já foram resolvidos, mas deixaram aqui suas pegadas, que o tempo, com certeza, apagará ou abrandará. Amigos queridos têm estado ao meu lado, ainda que muitos, virtualmente, a família, o Deus que eu creio, e a vida que não espera para tratarmos as nossas dores sejam elas quais forem. É bom também. Aprender é necessário, se vamos sofrer ou não, uma opção. Eu opto por não sofrer muito, mas confesso que sofro o suficiente para realinhar algumas posições em minha vida. Dar às pessoas o valor que, para mim, elas tem ou não. Durante a leitura do livro me deparei com situações hilárias, sérias, intensas e por isso, como faço sempre que leio, o livro está todo anotado, sublinhado e comentado. Percebi que muitas coisas ali escritas vieram de encontro ao que muitas vezes sinto, já senti e creio que uma grande maioria de pessoas sentem. Em tudo que foi lido, a enfase maior é a vida. Seus altos e baixos. Suas surpresas, nem sempre boas, mas sempre valorosas. Suas normalidade e excentricidades. Mas, viver é ainda o mais importante em tudo que ela destaca em seus escritos. Apesar de, temos que amar a vida, reverenciá-la, afinal é tudo que temos: a vida! E pra que mais? Grande companhia cada frase, cada observação, cada estória. Fechá-lo foi como acender mais uma luz e ao mesmo tempo deixá-la lá, dentro dele, não li direito. Por tudo isso e muito mais deixo aqui um parágrafo, entre tantos,que li e que me disse muito: "Quero uma primeira vez outra vez. Um primeiro beijo em alguém que ainda não conheço, uma primeira caminhada por uma nova cidade, uma primeira estréia em algo que nunca fiz, quero seguir desfazendo as virgindades que ainda carrego, quero ter sensações inéditas até o fim dos meus dias" ( O que mais você quer?, é o título da crônica). Isso é vontade de viver. Alegria de viver. Aprender a viver. Obrigada, Martha, valeu tudo o que foi escrito, sabido, aprendido. Realmente somos todas doidas e santas, depende da ocasião, mas o mais importante é realmente GOSTAR DE VIVER!
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Um amigo disse.
A vida sempre nos apresenta, sem muita cerimônia, situações que olhamos, analisamos e sabemos que teremos que enfrentar. Quando minha filha foi para a maternidade não pude acompanhá-la e os motivos agora não importam, mas só eu sei o que senti com aquela minha ausência no nascimento do meu primeiro neto. Talvez nem eu e nem ela tenhamos ainda digerido isso direito. Mas ele já está aí, lindo, inteligente e cada vez mais surpreendende. A indigestão, um dia, passa. Falta, para mim, a dose certa do remédio e o abandono da culpa. A falta de atitude, na época, foi o excesso de problema na minha vida e a situação não me permitia se não presenteá-la com a minha ausência. Talvez ela nunca entenda, eu talvez não entendesse se estivesse no lugar dela,também. Tenho a impressão que quando o ser "mãe" foi criado, junto criou-se a cobrança, a preocupação, a culpa e contrapartida um amor sem medidas, um carinho especial, uma benção divina. Hoje, como mãe, ela entenda muito mais. Minha filha, como todas as mães acham (sentem?) é muito especial. Difícil descrevê-la porque meu amor por ela a contornaria de virtudes e os defeitos eu preferiria fazer com que ficassem num canto que só eu visse. Eu a amo muito e ela sabe disso. Agora, a vida me apresenta uma outra situação normal na vida das pessoas, mas nova para mim. Meu filho vai passar por uma cirurgia nesta semana e eu estou aqui escrevendo para extravasar um pouco a minha preocupação. O problema não é sério, mas meu estado de mãe não me deixa alternativa: estarei presente e nem por isso, menos ansiosa. Muitas pessoas com problemas de saude muito sérios existem, eu sei, claro. Mas também sei ser egoísta: a dor dos meus filhos dói mais que a dor de outros filhos não menos especiais para seus pais. Sei que venho tentando me acostumar com a idéia: é só uma simples cirurgia, tudo dará certo, ele é jovem, e por aí vou tomando a pílula do inevitável, todos os dias. Sou dramática, todos dizem. Mas sou mãe e não conseguiria ser diferente e nem quero. Dramática, nasci. Ser mãe, escolhi. Quero e tenho o direito de amar do meu jeito, sem seguir receitas, sem fórmulas. Ser o que apenas eu sei ser. Nada mais. Aí, no meio de tudo isso, recebi um telefonema de um velho e bom amigo com quem desabafei e ele, pacientemente, me ouviu e depois disso achei que viesse uma enciclopédia de conselhos para me acalmar. Mas, ao contrário, ele só disse: Cris, você é só a mãe dele! Como dizendo: "pára de bancar a mulher-maravilha, a Piaf da vida, o tango dramático, você é uma pessoa, só. Não queira controlar a situação, não queira ser a protagonista de uma estória que não é sua, ser mãe não dimimui o risco de ver sofrer ou não os nossos filhos. Também somos filhos. E nossas mães será que possuiam algum super poder e não sofriam a cada machucadura nossa? Vai, mulher, trabalha esse desapego." Ele,em sua maneira prática de encarar a vida,mas amigo, não disse tudo isso, mas foi isso que entendi, felizmente. Depois do telefonema comecei a ver a situação de outra forma, mais digerível, menos anormal, mais tranquila. É. Essa semana promete, mas acredito estar bem para poder olhar e dizer que tudo está acontecendo como deve ser e que eu, tão sensacionalista, mas tão consciente dos meus limites, sou apenas a mãe. Deus é maior!
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