Muitas vezes precisamos do silêncio que vem para equilibrar nossas inquietações, para colocar ordem lá dentro da gente, silêncios que chegam como verdadeiros bálsamos para alguns males que nem mesmo sabemos o que é! Aí nos aquietamos, ficamos reflexivos e deixando que a quietude nos mostre o caminho para algumas soluções necessárias.E aí me permito deixar aqui a frase da grande escritora Clarice Lispector( Aprendendo a Viver") quando conclui: " há dias que vivo de raiva de viver"... Quem de nós nunca precisou "dar-se"um tempo para uma boa faxina interna e depois retornar sem que o barulho nos incomode? Os que me conhecem sabem que adoro estar com pessoas, gosto muito de ouvir música e às vezes alta para o gosto de alguns..Mas, às vezes preciso ouvir meus próprios gritos e aí me permito momentos de intenso silêncio interior e exterior. Às vezes esses silêncios atravessam dias e muita gente nem percebe. Ontem, porém, quando filhos e neto foram embora depois de aqui passarem o final de semana,percebi que havia alguma coisa me incomodando muito e descobri: o silêncio que ficara depois de tanta "folia", brincadeiras, conversas! Ele, principalmente ele, o Iago havia levado com ele a melhor coisa dessa vida e que só é possível quando se é criança: a verdadeira alegria de viver. Sem compromissos. Sem datas marcadas. Sem saber se hoje era ou não segunda-feira , a alegria de ser um menino feliz e sem medo a mostrar a ninguém a sua felicidade... Brincar, gritar e fazer acontecer sem a preocupação de "será que tem alguém pra me censurar?". Essa liberadade só a infância dá, porque é só nas ingênuas e sábias crianças que encontramos o grande valor de ser o que são, o valor da liberdade, e o valor da sinceridade...Por dois dias ele preencheu todos os cantos da casa com seu jeito feliz de ser o que é e não buscou nada a não ser continuar feliz fazendo-nos felizes também. Grande garoto esse meu neto...! Nós, adultos, temos que parar e olhar com muita cautela o quanto a garotada já tem pronto! Nasceram com brilho próprio...aprendem rápido...não questionam porque a vida é assim ou não...comem quando sentem fome...tomam banho só sob protesto...dormem quando sentem sono, não importa a hora, o lugar, o período do dia...São verdadeiramente livres...e, de verdade, só eles são. Alguém disse também: "sinceros são as crianças e os loucos. As crianças a gente educa e os loucos a gente tranca"... Ficou o silêncio Iago, o seu barulho foi o calmante, o bálsamo, a alegria de poder compartilhar com você seus momentos felizes. Até achar um lugar pra eu ficar bem depois que ele se foi, demorou...mas acabei parando, observando e concluindo que estarei sempre aqui esperando sua alegria e que voce é um dos grandes motivos da minha felicidade, da nossa felicidade...Ele jamais deixará só o silêncio, porque junto ficarão os risos, o barulho dos passinhos, o olhar de quem sabe que ama e é muito amado. Não irá nunca, ficará sempre e até a volta vamos nos lembrando dos dias de barulho, onde o silêncio foi esquecido e não fez falta nenhuma...Eram dias para sermos mais felizes e fomos e a cada volta seremos mais ainda...Seu riso verdadeiro me dá a certeza de que o silêncio só é bom porque existem crianças para quebrá-lo e nos trazer de volta a sensação maravilhosa de que um dia também fomos assim e nossos risos sinceros coloriram a vida daqueles a quem amamos e nos amam, ou nos amaram, tanto! Venha sempre Iago, precisaremos sempre da sua alegria! Não se ama mais aos netos do que aos filhos...amamos de formas diferentes...sem, como eles, os pais, termos o compromisso de olharmos a "figurinha" e nos carregarmos de deveres, obrigações e cobranças...isso, ainda, é tarefa dos pais...(a maioria ainda pensa assim). Aos avós só a alegria de ter invertido regras, soltado as amarras e quebrados todos os silêncios...Com muito amor!
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