Quanto tempo não escrevo! Nem falta de tempo, nem de inspiração ou motivação, apenas um tempo de passagem entre o entrar e sair de mim mesma. Estive recolhida em algum canto, observando pessoas, fatos, minhas próprias conclusões. É, foi um tempo de recolhimento necessário para colocar novos fins em velhas estórias. Valeu. Durante esse tempo de intervalo aproveitei para fazer uma das coisas que mais gosto: ler. Li alguns livros, revistas, artigos interessantes e consegui aprender mais um pouco sobre vários temas. Mas um livro especialmente, me deteve por várias vezes não só pelo conteúdo, mas pela dedicatória ali colocada. Trata-se de um livro sobre as mais belas orações a Nossa Senhora que ganhei de um amigo a quem não vejo há muito tempo. Nunca fui de levantar bandeira para defender religões, crenças ou mesmo a fé das pessoas, mas o livro me foi dado num momento muito especial da minha vida e nessa fase estar conectada com alguma energia não humana era de suma importância para mim. Eu precisava de amigos, de família, de Deus e foi aí que o pequeno-grande livro chegou até minhas mãos através dessa pessoa que acredito, apesar da distância, ainda me querer bem, para valorizar nossa amizade e me apoiou em dias em que sentia até o ar me faltar. Passou, mas o livro, felizmente, ficou e sua dedicatória encerra o conteúdo do que a nossa amizade valia. Não vou transcrevê-la, é longa. Mas, em seu último parágrafo diz assim: ... "e que a virgem do silêncio visite tuas tardes solitárias com raios de sol que entram pela janela do teu quarto". Ela me toca profundamente nessas tardes lindas que o outono nos tem proporcionado e exatamente à tarde quando o sol já está indo embora eu entro no meu quarto e percebo os raios que ,como donos daquele cômodo entram sem pedir licença e iluminam tudo refletindo a magia do acreditar no invisível. Há os que não acreditam e por eles, eu sinto e os amo da mesma maneira. Há os que acreditam e com eles eu divido cada fagulha desse calor vindo do alto. Já disse o grande Gibran, numa citação de seu livro "O Profeta"..."o outono é a mais humana das estações" e nunca um período do ano foi tão humano para mim como este. O meu tempo de recolhimento, de refazimento de forças, de tentativa de aprimoramento. O tempo mais frio, o céu mais limpo, as tardes de um colorido mágico como se fosse uma despedida em grande estilo para o próximo amanhã. Quantas tardes, meu amigo, eu entrei e entro no meu quarto em busca da virgem do silêncio, minha companheira por todo esse tempo e sinto a grande força que existe ali, naquele lugar, olhando para aquela janela e vendo os raios de sol entrarem silenciosamente mas com grande magnitude! Eles acompanham os meus sentimentos mais profundos e tudo clareiam e me fazem sentir parte integrante desse imenso Universo onde fui colocada para me fazer silente, quando necessário. Já não busco, encontrei e através dessa amizade com o que é quieto, calmo, sereno volto a me deparar com a incrível verdade de estar viva e acreditando que cada momento vivido é milagre. Nada de shows com finais estrondosos, com luzes artificiais, com músicas vibrantes. Apenas a cortina se abrindo e eu assistindo ao grande espetáculo que a vida me oferece todas as vezes que me permito ser também parte desse milagre. Sempre serei grata a esse amigo que talvez jamais saiba o quanto sua amizade, seu companheirismo e sua ajuda me fizeram voltar a acreditar no que para mim, na época, já não tinha mais sentido. Hoje relendo essa dedicatória tão carinhosa é que percebo o quanto ter e ser amigo é importante. Mas, mais do que isso: volto a acreditar nos raios de sol silenciosos que entram e dentro de mim fazem a festa de viver!
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