segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Um amigo disse.

A vida sempre nos apresenta, sem muita cerimônia, situações que olhamos, analisamos e sabemos que teremos que enfrentar. Quando minha filha foi para a maternidade não pude acompanhá-la e os motivos agora não importam, mas só eu sei o que senti com aquela minha ausência no nascimento do meu primeiro neto. Talvez nem eu e nem ela tenhamos ainda digerido isso direito. Mas ele já está aí, lindo, inteligente e cada vez mais surpreendende. A indigestão, um dia, passa. Falta, para mim, a dose certa do remédio e o abandono da culpa. A falta de atitude, na época, foi o excesso de problema na minha vida e a situação não me permitia se não presenteá-la com a minha ausência. Talvez ela nunca entenda, eu talvez não entendesse se estivesse no lugar dela,também. Tenho a impressão que quando o ser "mãe" foi criado, junto criou-se a cobrança, a preocupação, a culpa e contrapartida um amor sem medidas, um carinho especial, uma benção divina. Hoje, como mãe, ela entenda muito mais. Minha filha, como todas as mães acham (sentem?) é muito especial. Difícil descrevê-la porque meu amor por ela a contornaria de virtudes e os defeitos eu preferiria fazer com que ficassem num canto que só eu visse. Eu a amo muito e ela sabe disso. Agora, a vida me apresenta uma outra situação normal na vida das pessoas, mas nova para mim. Meu filho vai passar por uma cirurgia nesta semana e eu estou aqui escrevendo para extravasar um pouco a minha preocupação. O problema não é sério, mas meu estado de mãe não me deixa alternativa: estarei presente e nem por isso, menos ansiosa. Muitas pessoas com problemas de saude muito sérios existem, eu sei, claro. Mas também sei ser egoísta: a dor dos meus filhos dói mais que a dor de outros filhos não menos especiais para seus pais. Sei que venho tentando me acostumar com a idéia: é só uma simples cirurgia, tudo dará certo, ele é jovem, e por aí vou tomando a pílula do inevitável, todos os dias. Sou dramática, todos dizem. Mas sou mãe e não conseguiria ser diferente e nem quero. Dramática, nasci. Ser mãe, escolhi. Quero e tenho o direito de amar do meu jeito, sem seguir receitas, sem fórmulas. Ser o que apenas eu sei ser. Nada mais. Aí, no meio de tudo isso, recebi um telefonema de um velho e bom amigo com quem desabafei e ele, pacientemente, me ouviu e depois disso achei que viesse uma enciclopédia de conselhos para me acalmar. Mas, ao contrário, ele só disse: Cris, você é só a mãe dele! Como dizendo: "pára de bancar a mulher-maravilha, a Piaf da vida, o tango dramático, você é uma pessoa, só. Não queira controlar a situação, não queira ser a protagonista de uma estória que não é sua, ser mãe não dimimui o risco de ver sofrer ou não os nossos filhos. Também somos filhos. E nossas mães será que possuiam algum super poder e não sofriam a cada machucadura nossa? Vai, mulher, trabalha esse desapego." Ele,em sua maneira prática de encarar a vida,mas amigo, não disse tudo isso, mas foi isso que entendi, felizmente. Depois do telefonema comecei a ver a situação de outra forma, mais digerível, menos anormal, mais tranquila. É. Essa semana promete, mas acredito estar bem para poder olhar e dizer que tudo está acontecendo como deve ser e que eu, tão sensacionalista, mas tão consciente dos meus limites, sou apenas a mãe. Deus é maior!

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