Começo este texto como uma citação do livro "O ponto cego" de Lya Luft...( 1999)" É assim, o tempo: devora tudo pelas beiradinhas, roendo, corroendo,recortando e consumindo. E nada nem ninguém lhe escapará, a não ser que faça dele seu bicho de estimação" . Sempre tratei meu tempo como um bichinho amado que apesar de passar, de não ter controle sobre ele, de muitas vezes me esmagar com suas intempéries, não permiti que levasse minhas melhores lembranças, os melhores momentos, as melhores pessoas. E foi assim, vivendo, que tenho em mim a memória viva da minha infância que me mostra hoje, já madura (será?) o tamanho que as pessoas têm em minha vida. Eram tempos de roda, de pular corda, de "passar anel" e tantas outras brincadeiras que nos permitiam ser crianças com direito à liberdade de reunirmos com outras crianças sem o medo que hoje assola a maioria dos pais. Apenas éramos crianças e os pais, adultos que nos mostravam os limites sem que para isso tivessémos um Código a nos proteger contra qualquer tipo de agressão. Vivíamos a nossa época, íamos a escola, almoçávamos aos domingos com a família toda reunida. Todas as famílias tinham seus problemas, como hoje, mas nenhum deles demorava mais do que uma boa conversa para que tudo se resolvesse e outros aparecessem e fossem resolvidos também. Claro que problemas mais sérios sempre existiram e vão existir, mas naquela época ( velha, eu?) éramos nós que vivíamos nossos sonhos e os políticos eram mais comprometidos com a população e, por incrível que pareça, existia, na política, gente séria. E assim o tempo ia passando entre brincar de amarelinha, fazer o dever de escola e estarmos em família que, de preferência, moravam perto uns dos outros. Foi nesse tempo que em meio a tantas visitas familiares, eu conheci a prima de minha mãe, Alzira, que tinha muitos filhos, mas quem a acompanhava sempre era a Roseli, alguns anos mais nova que eu, mas que estava sempre perto de mim e foi a fisionomia dela que mais marcou depois que nos separamos. Tímida, mas risonha, sempre me olhando como se visse em mim a "mocinha" que ela queria ser. A vida foi tomando outros rumos, irmãos casaram, minha mãe ficou viuva, e a família foi aumentando mas cada um perseguindo seus próprios objetivos, mas a distância física foi ficando cada vez maior como que impondo a cada um de nós uma nova realidade. Acabaram-se as brincadeiras, nos víamos com menos frequência, reuniões só nas festas e as crianças foram dando lugar aos adolescentes, adultos e posturas diferentes diante da vida. E não poderia ser diferente comigo. Trouxe comigo todas as ternuras, carinhos e amor que aprendi quando criança, mas já não havia mais tempo para o Papai Noel, em quem acreditei por muito tempo. Trouxe comigo também algumas fantasias, se não como continuar vivendo? Trouxe comigo todos os momentos, manhãs e pessoas que amei, amo e amarei para sempre. Entre essas pessoas tão queridas estava lá a Roseli, minha priminha tímida, mas tão carinhosa, risonha e companheira. Para onde a vida a teria levado? Gostaria tanto de revê-la, mas por onde começar? Sempre na lembrança mas sem a noção real de como reencontrá-la. Aí, dei um "Viva" à nossa era da tecnologia, sem as brincadeiras de criança, com a família menor, com tantos Códigos a indicarem quais os caminhos que a lei tem como certos ou não e que TEMOS que seguir. Alguém disse uma vez: "melhor um mal governo do que nenhum governo", mas aí é outro assunto que prefiro não discutir. E foi assim, através da internet que a Roseli, minha prima, me encontrou ou melhor, reencontrou. Eu mal acreditei quando vi a foto e ela me perguntando sobre as pessoas da família. Era ela! Havia passado de carro com a filha em frente à casa onde eu morava e que ela havia ido tantas vezes e comentou que ali havia morado uma tia muito querida que ela sempre vinha visitar, e falou com a filha que gostaria de me reencontrar. No mesmo dia ( incrível) diante do computador, ela me viu no "facebook" e mandou uma mensagem para confirmar se era eu mesma. E, agora, voltamos a nos encontrar. A vida traça caminhos às escondidas parecendo adivinhar alguns de nossos melhores sonhos. Rever pessoas queridas, amigos, familiares.Hoje já não tão menina, e eu já não tão mocinha, percebo que o tempo apenas nos afastou fisicamente, porque nos nossos corações jamais tínhamos nos esquecido. Ela continua tímida e eu continuo tratando meu tempo como um bichinho de estimação não deixando que a distância me congele e tire de mim os melhores momentos daquele tempo e de todos os tempos que já vivi.Ela fez parte daquela paisagem tão colorida e hoje ela volta, fazendo parte de uma cenário repleto de boas cenas, de uma troca de figurinos, de assentos novos, mas onde o espetáculo ainda se chama "Vida" e melhor, podemos aplaudir juntas esse espetáculo. Ontem ela me contou, disso eu não lembrava, que a primeira boneca dela fui eu quem deu e ela adorou. Eu dei uma boneca e ganhei de volta o presente do reencontro com uma pessoa tão querida. Vida danada essa! Roseli, um grande resgate de carinho, ternura e amizade. Seja bem-vinda de volta...viajamos por países diferentes mas o nosso destino foi um só: descobrirmos a vida, vivê-la da melhor maneira que sabíamos para que hoje, pudéssemos estar juntas novamente. E ainda existem pessoas que não acreditam em milagres. Tantos ela tem operado em mim! E ainda espero outros tantos que, com certeza, virão! E termino por aqui (aff!), citando novamente a escritora Lya, agora em se livro "Perdas e Ganhos"..'."existir é poder refinar nossa consciência de que somos demais preciosos para nos desperdiçarmos buscando ser o que não somos, não podemos, nem queremos ser..." ( 2004, página 92). Eu sempre quis ser o que sou para ter a vida que tenho e amar, querer bem e reencontrar todos os meus sonhos!
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Querida Cris,
ResponderExcluirLi e reli e digo que amei muito a maneira como se expressou com carinho,afetividade,amor em relação a vida e as pessoas que de alguma maneira fizeram e fazem parte da história de uma vida.
Quanto as palavras sobre mim,me emocionaram bastante,meu coração ficou muito alegre.
Voce me descreveu perfeitamente como fui e sou, alegre ,e muito tímida ainda (rsrs), quanto a boneca ainda que semi-nova foi a boneca mais linda que eu tive o nome dela era (Alice)o que também foi uma homenagem á alguém que eu admirava muito, não mais do que a voce. Realmente quando te mandei o email " Quem sou deixa marcas" foi perfeito para que vc.soubesse
que através de suas atitudes de carinho,generosidade,amizade e humildade,foi intenso e eu traga tudo atualizado em minha memória.
Enfim não sei escrever bonito e certinho como voce, mas acho que consegui me expressar.
Fica com Deus, e que ele te guarde em todos os momentos de sua vida !
bjs
e atitudes eu levei para o resto de minha vida