Quando criei essa página não tive a intenção de só passar aqui emoções, situações ou sentimentos altruístas, mesmo porque a vida não é feita só de caminhos perfeitos, pessoas iluminadas e céu interior sempre azul. Já escrevi muitas coisas,inspirada por tantos motivos que hoje prefiro escrever como se fosse a primeira vez. Vou mudar o cenário sem mudar o roteiro. Hoje, meu cenário é a minha saudade. Meu roteiro é o de sempre: viver com sinceridade dentro de mim. O meu rosto pode mostrar a mesma pessoa de sempre, mas prefiro agora não mascarar essa infinita saudade que sinto. Ela não me faz sofrer, ela me faz refletir. Tantos passos já foram dados na estrada e a cada um deles percebo que alguns foram definitivos para eu me tornar o que sou hoje. Pessoas passaram simplesmente. Outras eu vi ao longe. Algumas vieram e ficaram. São essas últimas as que me interessam realmente. Chegaram e deram seu recado da maneira mais certa possível e isso não significa que tenham falado ou feito tudo certinho. Apenas souberam de mim, me entenderam e me ajudaram a ser melhor. Alguns desses "mestres" ainda estão por perto, e outros já se foram para um infinito de sabedoria maior. A minha saudade hoje vem falar da minha mãe. Minha amiga. Minha mestra na vida, na força, na arte de sentir. É tamanha a saudade que chega só para ser sentida e não explicada. Há exatos um ano e onze meses, ela foi em busca de uma felicidade que não encontramos nesse plano. Subiu seu último degrau nessa vida para ascender a degraus maiores na escada que a levou de volta ao aconchego de viver plenamente. Sem dores. Sem sofrimentos físicos. Sem um número de documento que a identificasse. Lá, aonde ela está , deixou de ser mãe e se tornou filha de um Pai que a aguardava ansioso para abraçá-la e desejar-lhe as boas vindas. Por isso não estou aqui a lamentar sua partida. É só a saudade imensa que me traz seu rosto, seus gestos, seus sorrisos. Ela não era perfeita, claro. Mas é a mãe que eu ainda tenho. Sempre atenta aos seus amores, sempre cuidadosa no tempero do prato mais simples, enérgica quando eu fazia alguma coisa que ela achava não estar certo. Sua presença, na minha vida, foi, é e sempre será mágica. Sua voz, muitas vezes ainda ecoa em minha alma, como se o tempo que vivemos juntas não houvesse sido suficiente para que ela tentasse dirimir da melhor maneira minhas dúvidas em relação a tudo que vivo. Seu perfume suave (sempre fez questão de estar perfumada) não tem similar. Era dela, exalava dela, nasceu com ela. E ela ainda é tudo isso: a pessoa-mãe carinhosa, engraçada, alegre, irônica, com muita presença de espírito e que ria de seus próprios erros. Fazia coisas que eu não gostava e muitas vezes achava que sempre tinha razão. Altiva , jamais se dava por vencida. A vida só a venceu, levando-a, quando ela concordou que seu tempo já havia terminado mesmo. Forte, a ponto a não esmorecer quando todos pareciam tão abatidos. Frágil, quando todos achavam que o acontecido não era motivo para tanto. Sempre ela. Sempre honesta consigo mesma. Sempre de fácil leitura. Nela eu conseguia enxergar, perceber e sentir todas as mulheres que ela era para ser ela mesma. É por isso que hoje escrevo dessa saudade. Valeu ter vivido tanto tempo com ela e saber que ainda temos a eternidade para viver. Minha amiga, ela ainda sabe o que me aflige, o que me entristece e o que deixa continuar a viver. Ela ensinou a lição, corrigiu e eu tento reescrever nossa história todos os dias na quase certeza de ser uma boa aluna. Tantos ensinamentos que me fazem hoje traduzir em muito amor, carinho e as melhores emoções essa imensa saudade que tenho dela... é, foi com ela que aprendi. Eterna sua presença. Intensa sua ausência!
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